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Ciência

Eclipse de 2027 terá “anel de fogo” por quase oito minutos e será visível no Brasil

Fenômeno ocorrerá em 6 de fevereiro, mas a aparência e a duração vão depender do local de observação. Não haverá escuridão total.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Sol ganhará a aparência de um anel luminoso em 6 de fevereiro de 2027, quando a Lua passar à sua frente sem encobri-lo completamente. O eclipse solar anular terá uma fase central de até 7 minutos e 51 segundos. O espetáculo poderá ser acompanhado em partes da América do Sul e da África, enquanto uma região muito maior verá apenas uma cobertura parcial do disco solar.

Apesar da expressão “anel de fogo”, o fenômeno não envolve uma transformação do Sol. O efeito surge do alinhamento entre a estrela, a Lua e a Terra — e da diferença entre os tamanhos aparentes dos dois astros no céu.

Por que o Sol parece virar um anel?

Primeiro Eclipse Solar De 2026
© NASA / Hinode / XRT

Um eclipse solar acontece quando a Lua passa entre a Terra e o Sol. Entretanto, o resultado muda conforme a geometria desse encontro.

No eclipse anular, a Lua está suficientemente distante da Terra para parecer menor que o disco solar. Por isso, mesmo quando os dois ficam alinhados, uma borda brilhante continua visível ao redor da silhueta lunar.

Essa é a principal diferença em relação a um eclipse total, no qual a Lua encobre toda a face brilhante do Sol durante alguns instantes. No evento de fevereiro de 2027, a luz solar não desaparecerá completamente. Portanto, a promessa de um céu totalmente escuro por quase oito minutos não descreve corretamente o fenômeno.

O que significam os quase oito minutos

Os cálculos publicados no catálogo de eclipses da NASA indicam uma duração central máxima de 7 minutos e 51 segundos. O ponto de maior eclipse ficará sobre o Atlântico Sul.

Esse número corresponde à fase em que o anel permanece completo em uma localização favorável. Não representa a duração de todo o eclipse, que inclui a entrada e a saída gradual da Lua diante do Sol.

Também não significa que todos os observadores terão os mesmos oito minutos. A duração muda conforme a posição dentro da faixa de anularidade. Nas bordas desse corredor, o intervalo será menor; fora dele, o anel não chegará a se formar.

Onde o eclipse poderá ser observado

Eclipses totais deixaram marcas na história: ajudaram a prever guerras, validar teorias científicas e mudar o rumo de civilizações.
© Adam Smith – Unsplash

O calendário da NASA inclui Chile, Argentina, Uruguai e Brasil entre os países sul-americanos associados à visibilidade do eclipse anular. Na África, a lista inclui Costa do Marfim, Gana, Togo, Benim e Nigéria.

Isso não significa que o fenômeno terá a mesma aparência em todo o território desses países. A faixa que permite observar o anel é relativamente estreita. Em uma área muito mais ampla, a Lua cobrirá apenas parte do Sol.

Grandes regiões da América do Sul, da África e da Antártida, além de áreas dos oceanos Pacífico e Atlântico, terão visibilidade parcial. Por isso, dizer que o eclipse poderá ser visto “somente em quatro países da América Latina” confunde a faixa central com a extensão total do evento.

Para acompanhar o fenômeno no Brasil, será necessário conferir as circunstâncias da cidade: horário, porcentagem de cobertura e posição em relação à faixa central. O nome do país na lista de visibilidade não garante a observação do anel em qualquer município.

A proteção é necessária durante todo o evento

Como uma parte do Sol continuará exposta, não haverá momento seguro para observação direta sem proteção apropriada.

As orientações de segurança da NASA recomendam visores solares adequados, que atendam à norma ISO 12312-2. Óculos de sol comuns, mesmo muito escuros, não servem para essa finalidade.

Câmeras, binóculos e telescópios precisam de filtros solares específicos instalados na frente da óptica. Usar óculos de eclipse enquanto se olha por esses equipamentos não oferece proteção suficiente.

Outra possibilidade é observar uma imagem projetada por um pequeno orifício, mantendo o Sol às costas. Nesse método, a pessoa acompanha a projeção em uma superfície — nunca olha para o Sol através do furo.

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