Pular para o conteúdo
Ciência

Cientistas descobrem um possível sétimo sentido humano: o intrigante “tato remoto” que permite perceber objetos escondidos sem tocá-los

Um grupo internacional de pesquisadores afirma ter encontrado evidências de um novo sentido humano: o “tato remoto”, a habilidade de perceber objetos enterrados ou encobertos sem contato direto. Inspirado em aves que caçam sob a areia, o estudo reacende debates sobre como realmente percebemos o mundo ao nosso redor.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, acreditou-se que nossos sentidos se limitavam aos cinco clássicos — visão, audição, olfato, paladar e tato — acrescidos da própria percepção corporal. Agora, cientistas da University Queen Mary e do University College London sugerem que essa lista pode estar incompleta. Um experimento comparando humanos e robôs revelou que nossa pele seria capaz de captar microdeslocamentos gerados por objetos ocultos, indicando a existência de um sétimo sentido surpreendente.

O que é o “tato remoto” e por que ele intriga os pesquisadores

O conceito de “tato remoto” surgiu a partir da observação de aves costeiras, como o maçarico-amarelo-menor (Tringa flavipes), capaz de localizar presas enterradas sem escavar. Inspirados por esse comportamento, os pesquisadores resolveram testar se humanos também poderiam detectar objetos sem tocá-los diretamente.

O estudo foi apresentado na Conferência Internacional IEEE sobre Desenvolvimento e Aprendizagem, reunindo especialistas em psicologia, robótica e inteligência artificial. A hipótese central: nossa pele poderia registrar mínimas deformações superficiais causadas pela presença de um objeto escondido sob materiais como areia ou grãos finos.

A descoberta amplia o entendimento do chamado campo receptivo, ou seja, o espaço ao redor do corpo do qual conseguimos extrair informações sensoriais — mesmo sem contato físico.

O experimento que revelou o possível novo sentido

A equipe conduziu um teste envolvendo doze voluntários e um robô equipado com sensores táteis avançados. Sobre uma superfície de areia, os participantes moviam suavemente os dedos, tentando indicar onde um pequeno cubo estava escondido.

Surpreendentemente, a maioria conseguiu. O desempenho médio humano atingiu 70,7% de acerto, mesmo sem tocar o objeto, apenas percebendo deslocamentos sutis na areia.

A professora Elisabetta Versace, psicóloga e diretora do Prepared Minds Lab da Queen Mary University, afirma que se trata da primeira evidência experimental de tato a distância em humanos. Segundo ela, a descoberta obriga a ciência a repensar como percebemos o ambiente ao redor e até que ponto nossos sentidos têm fronteiras rígidas.

Humanos versus robôs: quem percebe melhor o oculto?

Embora o robô tenha detectado o cubo a distâncias maiores, sua precisão foi bem inferior: apenas 40%, devido a muitos falsos positivos. Isso significa que, apesar da tecnologia, máquinas ainda interpretam erroneamente sinais sutis, confundindo ruído com informação.

Os humanos, por outro lado, apresentaram menos erros — um resultado que chamou a atenção dos engenheiros. Segundo os autores do estudo, ambos os sistemas operaram muito próximos do limite máximo de sensibilidade previsto por modelos físicos, mas a mente humana mostrou maior capacidade de interpretação.

O professor Lorenzo Jamone, especialista em robótica e IA no University College London, destaca que o trabalho evidencia o potencial das pesquisas interdisciplinárias. Para ele, psicologia e robótica, quando combinadas, conseguem revelar tanto capacidades humanas pouco exploradas quanto caminhos para inovações tecnológicas.

Impacto potencial na robótica, na IA e na exploração de ambientes extremos

Robôs Humanoides
© Unsplash – Andy Kelly

O principal autor do estudo, Zhengqi Chen, doutorando do laboratório de robótica avançada da Queen Mary University, acredita que o “tato remoto” pode inspirar sensores mais sofisticados para máquinas.

Ele afirma que a tecnologia poderia ser usada em tarefas delicadas, como escavações arqueológicas sem risco de danificar artefatos enterrados, exploração de solos granulares em missões espaciais — como a superfície de Marte — ou operações em ambientes submersos.

A pesquisa abre caminho para sistemas robóticos capazes de “sentir” através de camadas de materiais, aumentando a segurança e a eficiência de missões em locais perigosos ou inacessíveis para humanos.

Um sentido a mais para entender o mundo

Embora ainda seja cedo para afirmar que o “tato remoto” está oficialmente confirmado como o sétimo sentido humano, o estudo oferece uma evidência robusta de que percebemos mais do que imaginávamos.

Se novos testes confirmarem a descoberta, poderemos reescrever nossa compreensão da percepção humana — e, ao mesmo tempo, transformar a forma como robôs e sistemas de IA interagem com o ambiente.

 

[ Fonte: DW ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados