Uma teoria que mistura ciência e provocação
O artigo, publicado em junho de 2025 por Loeb e pelos pesquisadores Adam Hibberd e Adam Crowl, da Iniciativa para Estudos Interestelares (i4is), de Londres, analisa as propriedades e o comportamento incomum do 3I/ATLAS.
Segundo os autores, o trabalho foi feito “como um exercício pedagógico”, mas o conteúdo chamou atenção: o estudo sugere que o cometa pode ser de origem tecnológica — e até hostil, se considerada a chamada “Hipótese da Floresta Escura”.
Essa teoria tenta explicar o Paradoxo de Fermi, a contradição entre a alta probabilidade de vida inteligente no universo e a ausência de qualquer sinal dela. A hipótese propõe que civilizações avançadas se escondem deliberadamente para evitar serem destruídas por outras mais agressivas — como se o cosmos fosse uma floresta escura onde o silêncio é a única forma de sobrevivência.

As anomalias que intrigam os astrônomos
O 3I/ATLAS foi detectado em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS (Asteroid Terrestrial-Impact Last Alert Survey System), no Chile, financiado pela NASA. Estima-se que o objeto tenha 20 a 30 quilômetros de diâmetro, e, desde então, ele vem apresentando características que fogem completamente do padrão.
Entre as anomalias destacadas no estudo:
- Órbita retrógrada quase alinhada com o plano da Terra, com apenas 0,2% de chance de ocorrer por acaso.
- Tamanho anormalmente grande para um corpo interestelar natural.
- Ausência de gases cometários típicos, sugerindo que não se comporta como um cometa comum.
- Proporção de CO₂ oito vezes maior que a de água, segundo dados do Telescópio Espacial James Webb.
- Trajetória escondida atrás do Sol, dificultando observações diretas — o que, segundo Loeb, poderia até ser “intencional”.
O artigo ainda propõe que o 3I/ATLAS poderia estar realizando uma manobra de desaceleração “Oberth reversa”, usada em naves para reduzir velocidade e se aproximar de planetas — uma hipótese que, se confirmada, mudaria completamente nossa visão sobre visitantes interestelares.
Avi Loeb e a busca por tecnossinais
Avi Loeb não é estranho a polêmicas. Em 2017, o físico ficou mundialmente conhecido ao sugerir que ‘Oumuamua, o primeiro objeto interestelar já detectado, também poderia ser um artefato alienígena. Desde então, ele se tornou uma figura central no debate sobre tecnossinais — possíveis indícios de tecnologia extraterrestre.
Desta vez, Loeb afirma que não endossa completamente a hipótese alienígena, mas defende que ela deve ser testada cientificamente. Ele compara essa abordagem à aposta de Pascal: “É mais racional considerar a possibilidade de um risco existencial do que simplesmente ignorá-la.”
O que o cometa 3I/ATLAS pode nos ensinar
Mesmo que o 3I/ATLAS seja apenas um objeto natural, o estudo provoca reflexões sobre como interpretamos o desconhecido. O trabalho também reforça a importância de investigar tecnossinais em futuros objetos interestelares, tarefa que deve ganhar força com o Observatório Vera C. Rubin, previsto para iniciar suas observações nos próximos anos.
Seja um simples cometa ou algo muito além disso, o 3I/ATLAS já cumpriu um papel essencial: lembrar a humanidade de que o universo ainda guarda mistérios que desafiam nossa compreensão — e nossa imaginação.
[Fonte: O Globo]