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Ciência

Cientistas resolvem o mistério da “chuva solar” e abrem caminho para prever o clima espacial

Pesquisadores da Universidade do Havaí descobriram que variações em elementos como ferro, silício e magnésio explicam o fenômeno da chuva solar, um avanço que pode revolucionar as previsões sobre o comportamento do Sol e seus impactos na Terra.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, a chamada “chuva solar” — aquelas gotas de plasma frio e denso que caem da coroa solar após uma erupção — intrigou os cientistas. Agora, uma equipe do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí afirma ter resolvido o enigma. O segredo, segundo o novo estudo publicado no Astrophysical Journal, está nas flutuações na abundância de certos elementos químicos que compõem a atmosfera do Sol.

O que é a chuva solar

Tormenta Solar
© X/@MarGomezH

A coroa solar é uma região de plasma extremamente quente situada acima da superfície do Sol. Quando ocorre uma erupção, parte desse plasma sobe, esfria e se condensa — formando gotas densas que voltam a cair para camadas inferiores.
Esse processo, que dura apenas alguns minutos, é essencial para compreender o ciclo de energia e matéria no Sol e, por extensão, os efeitos que ele causa no clima espacial, capaz de interferir em satélites, comunicações e redes elétricas na Terra.

Até agora, os modelos usados para explicar o fenômeno assumiam que a composição química da coroa permanecia constante. Essa visão simplificada, no entanto, não conseguia reproduzir a rapidez com que a chuva solar se forma após uma erupção.

A pista escondida nos elementos

A grande virada veio com as simulações conduzidas pelo estudante Luke Benavitz e pelo astrônomo Jeffrey Reep, que permitiram que a abundância de elementos com baixo potencial de ionização — ferro, silício e magnésio — variasse no tempo e no espaço.
Quando essa variável foi incorporada, os resultados finalmente coincidiram com o que os telescópios observam no Sol.

“É empolgante ver que, ao permitir que elementos como o ferro mudem com o tempo, nossos modelos começaram a refletir o que realmente acontece no Sol”, explicou Benavitz. “A física ganha vida de um jeito que parece real.”

Um novo mecanismo solar

Os cientistas descobriram que o fenômeno é impulsionado por uma relação direta entre a abundância local de elementos e a taxa de perda de energia por radiação.
Após uma erupção, o fluxo de material que sobe da cromosfera altera a composição da coroa, criando regiões com excesso de certos elementos. Esse aumento gera mais emissão de radiação, o que provoca um resfriamento acelerado do plasma e leva à condensação que origina as “gotas” da chuva solar.

As simulações realizadas com o código HYDRAD mostraram que as condensações coronais só apareciam quando a abundância dos elementos variava. Modelos com composição fixa, por outro lado, falharam completamente em reproduzir o fenômeno.

Implicações para o clima espacial

Compreender a chuva solar é mais do que uma curiosidade astrofísica: trata-se de um passo crucial para prever tempestades solares e outros eventos que afetam diretamente o planeta.
De acordo com os pesquisadores, representar corretamente as abundâncias elementares nos modelos é essencial para calcular o tempo de resfriamento do plasma e antecipar as mudanças na atmosfera solar durante as erupções.

“Esse estudo mostra que a coroa solar é muito mais dinâmica do que pensávamos”, destacou Reep. “Precisamos abandonar a ideia de que sua composição é estática e considerar as variações como parte fundamental da física solar.”

O próximo passo: confirmar com observações

Energia Solar (3)
© iStock

Os resultados agora serão comparados com dados espectroscópicos de alta resolução de missões espaciais, que permitirão confirmar se as variações detectadas nas simulações realmente ocorrem no Sol.
Os cientistas também pretendem incorporar novos efeitos físicos, como a força ponderomotriz gerada por ondas de Alfvén, para refinar ainda mais os modelos.

O avanço abre uma nova janela para a astronomia solar — e coloca os pesquisadores um passo mais perto de compreender, e talvez prever, os fenômenos que fazem o Sol chover fogo sobre si mesmo.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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