O cometa Lemmon foi descoberto em 3 de janeiro de 2025 pelo astrônomo Carson Fuls, no Observatório Mount Lemmon, no Arizona (EUA). Trata-se de um corpo celeste com órbita extremamente excêntrica, que leva cerca de 1.350 anos para dar uma volta completa ao redor do Sol. Isso significa que esta é uma oportunidade única para observá-lo: depois de novembro, ele desaparecerá novamente nas profundezas do espaço.
Onde e quando observar o cometa Lemmon
Si tienes cielo oscuro y unos buenos prismáticos, los próximos días puedes ver el cometa C/2025 A6 (Lemmon). Lo encontrarás hacia el noroeste tras la puesta de Sol. Irá aumentando de brillo a medida que pasen los días, aunque será difícil que se pueda llegar a ver a simple vista. pic.twitter.com/JnuhfQvCoc
— Real Observatorio (@IGN_RObsMadrid) October 14, 2025
O cometa já pode ser visto a olho nu em locais escuros do hemisfério norte, especialmente em regiões da Espanha, México e América Central. Quem estiver em áreas com baixa poluição luminosa poderá identificar facilmente sua silhueta esverdeada ao anoitecer, logo após o pôr do sol.
O melhor horário para observação é pouco depois do crepúsculo, olhando na direção noroeste. Para quem não tem experiência com o céu noturno, o ponto de partida é a constelação da Ursa Maior, conhecida também como O Carro.
A partir da “cauda” dessa constelação — cuja estrela final se chama Alkaid —, trace uma linha curva em direção a Arturo, a estrela mais brilhante do hemisfério norte. É nessa região, na constelação de Boieiro (ou Boyero), que o cometa Lemmon se tornará mais fácil de observar, especialmente no dia 21 de outubro, quando atingirá seu ponto mais próximo da Terra: cerca de 101 milhões de quilômetros.
Dicas para uma observação perfeita
Mesmo que seja visível a olho nu, o espetáculo será mais impressionante se você estiver em um ambiente rural e sem luz artificial direta. Evite áreas urbanas e procure um horizonte oeste livre de obstáculos.
Caso a visibilidade esteja comprometida, utilize binóculos astronômicos com 7 a 12 aumentos. A técnica recomendada é apontar para Arturo e mover lentamente o campo de visão em direção a Alkaid, até encontrar uma “estrela difusa” com uma cauda voltada para longe do Sol — esse será o cometa Lemmon.
A magnitude estimada do astro ficará entre o brilho da estrela Alkaid, da Ursa Maior, e o da Korneforos, da constelação de Hércules — podendo até superar essa previsão conforme se aproxima do periélio.
A beleza das duas caudas
O que mais impressiona no cometa Lemmon é sua dupla cauda colorida. À medida que se aproxima do Sol, o calor faz seus gelos sublimarem, liberando gases e poeira no espaço. A primeira, chamada cauda iônica, tem um tom azulado e se forma a partir de partículas ionizadas pelo vento solar, que pode distorcê-la e fazê-la ondular.
A segunda, conhecida como cauda de poeira, surge da liberação de partículas microscópicas que refletem a luz solar. Essa cauda tende a ser mais amarelada e difusa, visível mesmo com instrumentos simples. Quanto maior a quantidade de poeira, mais intenso o brilho.
O caminho do cometa pelo céu

De acordo com o Observatório Astronômico Nacional da Espanha (OAN-IGN), o Lemmon continuará se movendo em direção ao oeste nas próximas semanas. No fim de outubro, ele passará entre Korneforos (a segunda estrela mais brilhante de Hércules) e Unukalhai, a principal estrela da constelação de Serpente.
Já em meados de novembro, o cometa cruzará os céus próximos à Antares, a estrela vermelha dominante da constelação do Escorpião. Depois disso, sua visibilidade começará a diminuir rapidamente.
Um convite para olhar o céu
Em tempos de luzes artificiais e distrações digitais, o cometa Lemmon é uma oportunidade rara de reconexão com o cosmos. Para quem nunca viu um cometa antes, basta um pouco de paciência, um céu limpo e olhos atentos para testemunhar um espetáculo que não se repetirá tão cedo.
[ Fonte: The Conversation ]