Entre ventos fortes e paisagens agrestes, a costa oeste da Irlanda serve de laboratório para uma tecnologia que pode redefinir a energia eólica. O projeto Kitepower aposta em cometas gigantes para captar ventos de alta altitude e transformá-los em eletricidade, oferecendo eficiência e flexibilidade superiores às turbinas tradicionais.
Energia que vem do céu
O sistema usa uma pipa de 60 m² presa a um cabo enrolado em um tambor. A pipa sobe descrevendo um padrão em forma de oito, como no kitesurf, durante cerca de 45 segundos.
Esse movimento maximiza a força do vento, gerando entre 2,5 e 4 toneladas de tração. A energia é transferida ao tambor, acionando um gerador em terra que carrega baterias.
No retorno, a pipa é posicionada para reduzir a resistência, permitindo recolher o cabo com gasto mínimo de energia. O ciclo se repete continuamente, produzindo até 30 kWh por unidade.
Vantagens sobre turbinas eólicas
Segundo os desenvolvedores, as pipas do Kitepower podem ser até duas vezes mais eficientes que turbinas, já que captam ventos mais fortes e constantes em maior altitude.
A mobilidade também é um diferencial: todo o sistema cabe em um contêiner de seis metros, pode ser transportado em caminhão e não exige fundações ou torres. Isso viabiliza seu uso em áreas onde turbinas seriam impraticáveis.
Da Irlanda para o mundo
Após os testes no condado irlandês de Mayo, a tecnologia passou a ser aplicada nos Países Baixos em parceria com a construtora Dura Vermeer. Lá, a energia gerada abastece máquinas elétricas usadas em obras de infraestrutura.
O objetivo é expandir para ilhas e comunidades remotas da União Europeia que dependem de geradores a diesel. A experiência irlandesa reforça que a energia eólica aerotransportada pode ser uma alternativa renovável, econômica e fácil de implementar.