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Como o orçamento gigantesco de Eternos acabou atrapalhando a Marvel, segundo Chloé Zhao

Diretora vencedora do Oscar revela que a liberdade quase ilimitada de recursos dificultou suas escolhas criativas e influenciou seu próximo projeto, o drama histórico Hamnet.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Da Marvel ao drama intimista

Depois de dirigir Eternos (2021) para a Marvel Studios, a cineasta Chloé Zhao — vencedora do Oscar por Nomadland — agora promove seu novo projeto, Hamnet, adaptação do romance de Maggie O’Farrell inspirado na vida de William Shakespeare e na perda de seu filho, que teria inspirado Hamlet.

Em entrevista à Vanity Fair, Zhao explicou que a experiência com a superprodução da Marvel influenciou profundamente a maneira como ela abordou o novo filme. A diretora afirmou que aprendeu “o que fazer e o que não fazer” ao trabalhar com orçamentos gigantescos e pressões de estúdio.

Eternos me preparou para Hamnet por causa da construção de mundos. Antes, só tinha feito filmes que existiam no mundo real. Também aprendi o que é realista e o que não é”, disse Zhao.

O “perigo” de ter recursos ilimitados

Apesar de ter sido um dos maiores orçamentos da Marvel, Zhao revelou que a abundância de recursos não trouxe liberdade criativa, como muitos poderiam imaginar:

Eternos tinha praticamente dinheiro e recursos ilimitados… E isso é perigoso. Não ter muitas limitações pode atrapalhar”, afirmou.

Em contraste, Hamnet — de escala bem menor — trouxe um olhar mais pessoal para o trabalho da diretora:

“De repente, tudo tem significado”, completou Zhao, destacando que, quando os recursos são mais restritos, cada escolha de produção ganha mais peso.

Um filme da Marvel entre pressões e expectativas

O lançamento de Eternos aconteceu em um momento delicado para a Marvel Studios, quando o cansaço dos filmes de super-heróis começava a afetar o público. A narrativa mais esotérica e os novos personagens dividiram os fãs, gerando uma recepção mista.

Segundo a reportagem, a Marvel ajustou o projeto para atender expectativas baseadas no sucesso de filmes anteriores, o que acabou conflitando com a visão autoral de Zhao. O resultado foi uma produção que tentou agradar a todos e, no fim, dividiu opiniões.

Com a recepção morna, os planos para uma sequência de Eternos e a inclusão do elenco em futuros crossovers do MCU foram discretamente colocados em espera.

Apoio de gigantes do cinema

Se em Eternos Zhao sentiu que sua voz criativa foi diluída, em Hamnet ela teve apoio total de nomes de peso, como Steven Spielberg e Sam Mendes.

“O feedback deles foi voltado para o cinema, não para o marketing ou o box office. Quando eu fazia algo que talvez pudesse confundir as pessoas, eles diziam: ‘Sabe de uma coisa? Confiamos nela. Deixe-a fazer do jeito dela’”, revelou Zhao.

Um novo capítulo para Chloé Zhao

A diretora parece estar retomando o controle criativo com Hamnet, apostando em uma narrativa mais íntima e autoral. Para Zhao, a experiência com a Marvel foi um aprendizado valioso sobre limites, escolhas e liberdade artística.

Enquanto Eternos representou uma das produções mais ambiciosas da Fase 4 do MCU, Hamnet marca o início de uma fase mais pessoal e colaborativa na carreira da cineasta.

 

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