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Tecnologia

Computadores quânticos estão mais perto de quebrar a criptografia atual do que se imaginava — e isso pode mudar tudo, de Bitcoin a mensagens privadas

Novos estudos sugerem que a segurança digital que usamos todos os dias pode ter prazo de validade mais curto do que o previsto. Pesquisadores já apontam que algoritmos clássicos podem cair antes mesmo da chegada de computadores quânticos plenamente avançados — e a corrida por soluções já começou.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A ideia de que computadores quânticos poderiam um dia quebrar a criptografia atual não é nova. Mas, até pouco tempo, acreditava-se que esse cenário ainda estava distante. Agora, uma série de pesquisas recentes está mudando essa percepção. Cientistas de diferentes instituições estão convergindo em um ponto preocupante: os sistemas de segurança digital que sustentam a internet moderna podem se tornar vulneráveis mais cedo do que o esperado.

O alerta vem de diferentes frentes científicas

Física Quântica
© Bartlomiej Wroblewski – Getty Images

Um estudo recente conduzido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), da Universidade da Califórnia em Berkeley e da startup Oratomic investigou o potencial dos computadores quânticos baseados em átomos neutros — uma tecnologia ainda experimental, mas promissora.

Esses pesquisadores estimam que o famoso algoritmo de Shor, conhecido por sua capacidade de quebrar sistemas criptográficos, poderia ser executado em máquinas com algo entre 10 mil e 20 mil cúbits. Em um cenário mais ambicioso, eles propõem que um sistema com cerca de 26 mil cúbits seria suficiente para comprometer a segurança do Bitcoin em poucos dias.

Esse tipo de projeção não é isolado. Ao longo das últimas semanas, outros estudos têm reforçado a mesma tendência: o avanço da computação quântica pode ser mais rápido — e mais impactante — do que se previa.

Google também reforça o cenário preocupante

No final de março, pesquisadores da equipe de inteligência artificial quântica do Google divulgaram resultados que vão na mesma direção. Segundo o estudo, algoritmos de criptografia baseados em curvas elípticas — amplamente utilizados por criptomoedas como Bitcoin e Ethereum — poderiam ser quebrados com menos recursos do que se imaginava.

De acordo com a equipe, um computador quântico com menos de 500 mil cúbits físicos já seria capaz de decifrar esses sistemas em questão de minutos. Isso representa uma redução significativa nas estimativas anteriores e acelera o cronograma de risco para a segurança digital.

A conclusão que começa a ganhar força na comunidade científica é clara: a criptografia clássica pode se tornar obsoleta antes mesmo da chegada dos computadores quânticos de grande escala.

Os primeiros sinais de ruptura já apareceram

Embora ainda não exista um computador quântico capaz de quebrar os sistemas mais usados em larga escala, alguns avanços recentes mostram que esse caminho já começou.

Em maio de 2024, um grupo da Universidade de Xangai, liderado pelo professor Wang Chao, conseguiu vulnerar um tipo de criptografia conhecido como SPN (Substitution-Permutation Network) utilizando um computador quântico da empresa D-Wave. Esse modelo é uma base importante para sistemas como o AES (Advanced Encryption Standard), amplamente utilizado em todo o mundo.

Pouco tempo depois, em 2025, pesquisadores do Google indicaram que um número RSA de 2.048 bits — padrão clássico de segurança digital — poderia ser fatorado em menos de uma semana com um computador quântico de menos de um milhão de cúbits.

Embora a criptografia baseada em curvas elípticas seja considerada mais robusta que o RSA, ela compartilha fundamentos matemáticos semelhantes. Isso significa que, se um for vulnerável, o outro provavelmente também será.

Muito além das criptomoedas

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© Pexels

Apesar de o debate frequentemente girar em torno de Bitcoin e outras criptomoedas, o impacto potencial vai muito além disso. A criptografia está presente em praticamente todas as nossas interações digitais.

Aplicativos como WhatsApp e Telegram utilizam criptografia para proteger mensagens. Bancos dependem desses sistemas para garantir a segurança de transações financeiras. Compras online, login em contas e até comunicações corporativas passam por camadas de proteção criptográfica.

Se essas barreiras forem quebradas, toda a infraestrutura digital global pode ser afetada.

A corrida pela criptografia pós-quântica já começou

A boa notícia é que a comunidade científica não foi pega de surpresa. Pesquisadores já trabalham há anos no desenvolvimento de soluções resistentes à computação quântica.

Um marco importante aconteceu em 2024, quando o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST) publicou um conjunto inicial de padrões de criptografia pós-quântica. Entre eles, estão novos mecanismos de troca de chaves e esquemas de assinatura digital projetados para resistir a ataques quânticos.

Grande parte do trabalho teórico já está concluída. Agora, o desafio é implementar essas novas tecnologias em larga escala antes que a ameaça se torne prática.

O cenário ainda não exige pânico, mas deixa um recado claro: a segurança digital do futuro está sendo decidida agora.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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