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O visto para nômades digitais no Brasil ainda não saiu, e isso pode estar afastando profissionais do país

O Brasil ainda não criou um visto específico para nômades digitais, e isso já começa a impactar decisões de profissionais estrangeiros. Enquanto isso, alternativas menos simples ganham espaço.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Nos últimos anos, o Brasil passou a ser visto como um destino atraente para trabalhadores remotos, graças ao custo de vida, clima e diversidade cultural. No entanto, um detalhe importante segue travado nos bastidores: a criação de um visto específico para nômades digitais. Apesar da expectativa, a medida ainda não avançou como muitos esperavam — e isso pode estar colocando o país atrás de concorrentes na disputa por esse público.

Um projeto que segue parado no Congresso

O visto para nômades digitais no Brasil ainda não saiu, e isso pode estar afastando profissionais do país
© https://x.com/yaxis

Apesar do interesse crescente no tema, o Brasil ainda não possui um visto exclusivo para nômades digitais.

A proposta mais concreta, o Projeto de Lei 1.873/2021, continua sem previsão de votação no Congresso Nacional. A ideia é incluir uma categoria específica para trabalhadores remotos dentro da legislação migratória brasileira.

Enquanto isso não acontece, estrangeiros que desejam trabalhar remotamente no país precisam recorrer a alternativas já existentes, que nem sempre foram pensadas para esse tipo de perfil.

As alternativas atuais para trabalhar remotamente no Brasil

O visto para nômades digitais no Brasil ainda não saiu, e isso pode estar afastando profissionais do país
© https://x.com/voyagenomad

Sem um visto dedicado, há três principais caminhos utilizados por profissionais estrangeiros.

O primeiro é a entrada como turista, que permite permanência de até 180 dias por ano. Embora seja a opção mais simples, ela pode levantar questionamentos, especialmente quando o visitante demonstra estar trabalhando remotamente.

Outra possibilidade é o visto temporário de trabalho (VITEM XIV), que envolve custos consulares e um processo mais burocrático, podendo levar mais de um mês para aprovação.

Já o visto de investimento (VITEM V) exige aporte financeiro no país, sendo uma alternativa mais restrita a determinados perfis.

Cada uma dessas opções possui implicações diferentes em termos legais, fiscais e operacionais.

O alerta que muitos profissionais ignoram

Um dos pontos mais importantes — e frequentemente negligenciado — envolve a questão tributária.

Profissionais que permanecem no Brasil por mais de 183 dias passam a ser considerados residentes fiscais. Isso significa que precisam declarar impostos no país, independentemente de onde recebam seus rendimentos.

Além disso, autoridades de imigração têm intensificado a fiscalização. Em alguns casos, viajantes são questionados sobre fonte de renda e obrigados a apresentar comprovação de trabalho remoto e seguro de saúde.

Empresas também precisam ficar atentas

O cenário não impacta apenas indivíduos, mas também empresas que contratam profissionais estrangeiros atuando no Brasil.

Especialistas recomendam revisar contratos para garantir que os pagamentos sejam feitos exclusivamente do exterior e que não haja vínculos formais com o mercado local.

Caso contrário, podem surgir implicações legais relacionadas à legislação trabalhista brasileira.

O risco de perder espaço para outros países

Enquanto o Brasil mantém o projeto parado, outros países já avançaram.

Na América do Sul, por exemplo, a Argentina lançou recentemente um programa específico para nômades digitais, facilitando a entrada e permanência desses profissionais.

Esse tipo de iniciativa pode atrair trabalhadores que, de outra forma, considerariam o Brasil como destino.

Com eventos internacionais no horizonte e o crescimento do trabalho remoto global, a ausência de um visto específico pode se tornar um fator decisivo.

Um impasse que pode definir o futuro do país nesse mercado

A criação de um visto para nômades digitais é vista por especialistas como uma oportunidade estratégica para o Brasil.

Além de atrair profissionais qualificados, esse público tende a gerar impacto positivo na economia local, especialmente em setores como turismo, serviços e tecnologia.

No entanto, enquanto o projeto não avança, o país segue operando com soluções improvisadas — e arriscando perder competitividade em um mercado que cresce rapidamente.

[Fonte: VisaHQ]

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