A Copa do Mundo de 2026, organizada por Estados Unidos, México e Canadá, deveria ser a celebração máxima do futebol. Em vez disso, cresce o temor de que ela se transforme em um pesadelo para torcedores e ambientalistas. Entre políticas migratórias duras, preços exorbitantes e impacto climático sem precedentes, o sonho do Mundial norte-americano parece cada vez mais distante da festa popular prometida pela FIFA.
Barreiras migratórias e veto a torcedores

Desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, viajar aos Estados Unidos se tornou um desafio até para quem tem visto. Nos primeiros meses de 2025, multiplicaram-se relatos de detenções arbitrárias e deportações em aeroportos e fronteiras.
Diferente dos dois mundiais anteriores, o país não criou um visto temporário para torcedores. Pior: a lista de países com entrada proibida nos EUA inclui nações que tradicionalmente participam da Copa, como Irã, já classificado, e até Brasil, segundo especulações da imprensa brasileira após novas sanções impostas por Washington.
Um Mundial sem torcedores brasileiros parece impensável — mas, se as restrições continuarem, parte da festa pode ficar do lado de fora dos estádios.
Redadas, medo e incerteza
Entrar é difícil, mas permanecer também. O ICE, órgão de imigração dos EUA, vem realizando operações em massa em cidades como Los Angeles e Chicago, que serão sedes do torneio.
Durante o Mundial de Clubes de 2025, o ICE chegou a publicar no X (antigo Twitter) que seus agentes estavam “prontos para garantir a segurança” e recomendou aos presentes “portar provas de status legal”. A postagem foi apagada, mas o clima de medo permaneceu — e muitos torcedores desistiram de viajar.
Se o mesmo ocorrer em 2026, a assistência aos jogos pode despencar, comprometendo o sucesso do evento.
O Mundial mais caro de todos os tempos
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Nem só de burocracia vive o caos: o bolso também sofre. As entradas mais caras para a final custam mais de US$ 6.300 (R$ 35 mil) — quase quatro vezes mais que em Catar 2022.
Até mesmo os ingressos da fase de grupos triplicaram de preço. A reventa sem controle e os esquemas de preços variáveis tornam praticamente impossível assistir a uma partida sem gastar uma fortuna.
E não é só o ingresso: as passagens aéreas e diárias de hotel estão em valores históricos. Para muitos fãs, o Mundial virou um evento para milionários, distante do espírito popular que tornou o futebol o esporte mais amado do planeta.
O impacto ambiental da Copa trilateral
Se o Mundial de 2022 foi criticado por questões de direitos humanos, o de 2026 promete ser lembrado pela pegada de carbono. Diferentemente do Catar, que concentrava tudo em uma cidade, agora serão três países e 16 sedes espalhadas pelo continente.
Isso significa milhares de voos adicionais para equipes, jornalistas e torcedores. Só a seleção dos EUA, por exemplo, deve percorrer 3.200 km entre Los Angeles e Seattle em poucos dias.
A logística aérea, combinada ao aumento do tráfego rodoviário em cidades sem transporte público adequado — como Dallas, onde fica o AT&T Stadium —, pode transformar esta Copa na mais poluente da história.
FIFA aposta no otimismo
Apesar das críticas, a FIFA tenta manter o discurso positivo. Gianni Infantino, presidente da entidade, garantiu que o governo americano “está comprometido em facilitar a entrada dos torcedores”, mas não explicou como.
Já o diretor de mídia da organização defendeu os preços altos, alegando que “o modelo busca equilibrar o acesso e o investimento global no futebol”.
Enquanto isso, 90 organizações de direitos humanos assinaram uma carta aberta pedindo que a FIFA se posicione sobre os abusos migratórios e trabalhistas nos EUA — sem resposta até agora.
Um Mundial em xeque
A nove meses do torneio, a pergunta persiste: será que o Mundial de 2026 será uma celebração global ou um desastre logístico e político sem precedentes?
Entre muros, voos caros e estádios vazios, o que era para ser o Mundial da união corre o risco de se tornar o símbolo das divisões globais.
[ Fonte: DW ]