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Brasil ganha espaço no tabuleiro da nova guerra comercial entre EUA e China

A ofensiva de Donald Trump contra as exportações chinesas reacende a tensão entre as duas maiores economias do planeta — e coloca o Brasil em uma posição privilegiada para lucrar com o conflito.
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Tempo de leitura: 3 minutos

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O ex-presidente norte-americano Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (10) uma nova tarifa de 100% sobre produtos chineses, que se somará aos 30% já existentes. A medida, divulgada em sua própria rede social, inclui ainda restrições a softwares essenciais fabricados nos EUA a partir de 1º de novembro.

O republicano também ameaçou controlar as exportações da Boeing para a China, em resposta à decisão de Pequim de limitar a venda de terras raras — materiais estratégicos para a produção de componentes eletrônicos.

Embora o governo chinês ainda não tenha reagido oficialmente, analistas esperam retaliações severas, como ocorreu em disputas anteriores. E, nesse cabo de guerra, o Brasil surge como beneficiário indireto.

Soja: o primeiro efeito visível

O economista Ian Lopes, da Valor Investimentos, lembra que a guerra comercial anterior entre EUA e China já transformou o Brasil em líder absoluto nas exportações de soja.

“Os chineses reduziram drasticamente as compras de soja norte-americana e passaram a depender mais do Brasil. Esse movimento deve se repetir em outras cadeias produtivas”, afirma.

Segundo a American Farm Bureau Federation, principal entidade agrícola dos EUA, o volume de soja embarcado para a China caiu 78% entre janeiro e agosto em comparação ao mesmo período de 2024. O relatório destaca que, embora a demanda chinesa tenha atingido níveis recordes, grande parte agora é suprida por concorrentes sul-americanos — com o Brasil à frente.

Efeitos colaterais positivos para o Brasil

Além de aumentar as exportações, o Brasil pode se beneficiar pela via das importações, segundo o economista Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos.

“Os produtos que a China deixaria de vender aos EUA precisarão encontrar novos mercados. Parte dessa oferta pode vir para o Brasil, elevando a disponibilidade e ajudando a conter preços internos”, explica.

Esse movimento, diz Saadia, pode até aliviar a inflação no médio prazo. “É um benefício que se estende ao longo dos próximos anos, com impacto positivo na balança comercial e nos preços de diversos produtos.”

Dependência mútua entre gigantes

Apesar das novas tarifas, EUA e China continuam profundamente interligados. Os americanos ainda dependem do gigante asiático para centenas de bilhões de dólares em importações, especialmente em eletrônicos, vestuário e móveis.

Trump tem pressionado empresas de tecnologia a repatriar a produção, mas, na prática, a maioria delas mantém fábricas no exterior. Após impor tarifas de 145% — um embargo comercial quase total —, o republicano recuou e reduziu a taxa para 20% sobre eletrônicos, reconhecendo o impacto negativo das medidas sobre a economia doméstica.

Em maio, os dois países chegaram a reduzir tarifas mutuamente, consolidando uma breve trégua comercial. Agora, com a nova rodada de aumentos, o equilíbrio volta a ser ameaçado — e o Brasil, mais uma vez, pode colher os frutos dessa instabilidade.

O Brasil entre gigantes

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Enquanto EUA e China se enfrentam, o Brasil se fortalece como alternativa estratégica para ambos os lados. A agricultura e a indústria brasileiras têm espaço para expandir suas exportações, e o país pode atrair investimentos buscando diversificação de cadeias produtivas fora do eixo Washington–Pequim.

Se souber aproveitar o momento, o Brasil pode consolidar seu papel como mediador comercial e fornecedor confiável, em um cenário global cada vez mais dividido por tarifas e interesses políticos.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 


 

 

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