Presentes há séculos na medicina tradicional asiática, cúrcuma e gengibre ganharam popularidade no Brasil nos últimos anos. Seja em shots matinais, sucos funcionais ou receitas salgadas, as duas raízes são associadas a benefícios para a saúde. Parte dessa fama é respaldada por pesquisas científicas — embora com nuances importantes.
Gengibre: digestão, náuseas e compostos bioativos

O gengibre (Zingiber officinale) é conhecido pelo sabor levemente picante e pelo aroma marcante. Seu principal composto ativo é o gingerol, substância associada a propriedades antioxidantes e potenciais efeitos anti-inflamatórios.
Um metaestudo conduzido por pesquisadores da Universidade Nacional de Seul, que reuniu mais de 100 artigos científicos, apontou que o gengibre pode ajudar no controle de náuseas e vômitos, além de contribuir para a função gastrointestinal. A instituição Johns Hopkins Medicine também destaca que o gingerol favorece a motilidade intestinal, facilitando o deslocamento dos alimentos pelo sistema digestivo.
Pacientes em tratamento quimioterápico, por exemplo, podem experimentar redução das náuseas ao incluir gengibre na alimentação, como complemento às terapias tradicionais. Além disso, há evidências de que a raiz pode ajudar a aliviar inchaço abdominal, gases e desconforto digestivo.
Por outro lado, embora existam indícios de ação anti-inflamatória, ainda não há consenso clínico robusto sobre seu uso no tratamento de doenças como artrite reumatoide ou inflamações respiratórias. O gengibre contém mais de 400 compostos diferentes, e muitos ainda estão sendo estudados.
Cúrcuma: curcumina e potencial anti-inflamatório

A cúrcuma, parente próxima do gengibre, é reconhecida pela cor amarelo-alaranjada intensa. Seu principal componente ativo é a curcumina, associada a propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.
Mary-Eve Brown, nutricionista clínica da Johns Hopkins Medicine, explica que a curcumina possui diversas atividades biológicas, embora nem todas estejam completamente compreendidas. Como outros alimentos vegetais de cores vibrantes, a cúrcuma é rica em fitonutrientes que ajudam a neutralizar radicais livres e proteger as células contra danos.
Alguns estudos indicam que pessoas com osteoartrite relataram redução de dor articular ao consumir cúrcuma regularmente na alimentação. Pesquisas também investigam possíveis efeitos sobre transtornos de humor, depressão e demência, mas os dados ainda são preliminares e envolvem amostras pequenas.
Outras investigações sugerem associação entre consumo de cúrcuma e melhora no perfil lipídico em adultos com doenças metabólicas. Há ainda estudos explorando seu papel em inflamação sistêmica, síndrome metabólica, ansiedade, dor muscular pós-exercício e saúde renal. No entanto, em muitos casos, são necessárias pesquisas mais amplas para confirmar benefícios clínicos consistentes.
Segurança e possíveis efeitos colaterais
Tanto cúrcuma quanto gengibre são considerados seguros quando consumidos em quantidades usuais na alimentação. O alerta recai principalmente sobre suplementos concentrados.
Segundo a Johns Hopkins Medicine, efeitos adversos costumam estar ligados a altas doses de curcumina em cápsulas ou extratos, não ao uso culinário da especiaria. Reações alérgicas à cúrcuma podem ocorrer em pessoas sensíveis, causando erupções cutâneas ou desconforto gastrointestinal.
No caso do gengibre, o consumo excessivo — especialmente em forma de suplemento — pode aumentar o risco de sangramento. Pessoas que utilizam anticoagulantes devem ter cautela. Há também indícios de que grandes quantidades possam interferir na regulação da insulina, o que exige atenção em indivíduos com diabetes.
Como incluir cúrcuma e gengibre na alimentação
As duas raízes são versáteis e fáceis de incorporar à rotina. O gengibre pode ser usado fresco, ralado ou picado, em chás, sucos, refogados, sopas e até sobremesas. Combina bem com frutas cítricas, cenoura, abóbora e lentilhas. O gengibre em conserva, comum na culinária japonesa, também pode ser uma alternativa interessante.
A cúrcuma pode ser adicionada a arroz, frango, legumes assados, caldos e ensopados. No Brasil, aparece com frequência em curries, molhos e até em versões de “leite dourado”. Seu sabor terroso harmoniza com pimenta-do-reino — combinação que, segundo estudos, pode aumentar a absorção da curcumina.
As raízes frescas podem ser encontradas em feiras e supermercados e armazenadas no freezer por até seis meses, já cortadas em pedaços.
No fim das contas, cúrcuma e gengibre não são soluções milagrosas. Mas, dentro de uma alimentação equilibrada, podem funcionar como aliados interessantes — desde que usados com moderação e, em caso de dúvida, com orientação profissional.
[ Fonte: Infobae ]