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Da expectativa ao constrangimento: o caso que abalou a Disney

Uma superprodução cercada de expectativas acabou se tornando um alerta caro para Hollywood, após uma estreia turbulenta, polêmicas sucessivas e um destino inesperado longe do glamour das grandes premiações.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quando a Disney decidiu revisitar um de seus contos mais emblemáticos em versão live action, o projeto parecia blindado contra erros. Orçamento generoso, um clássico atemporal e a promessa de atualização para novos públicos. Mas, passado pouco mais de um ano da estreia, o que era tratado como evento virou um símbolo de excesso, desgaste criativo e desconexão com o público. Agora, o filme reaparece nos noticiários por um motivo bem menos desejado.

Uma superprodução que não conseguiu justificar o investimento

O projeto nasceu grande. Com um orçamento estimado entre 240 e 270 milhões de dólares, a nova adaptação de Branca de Neve entrou para o seleto grupo das produções mais caras da história da Disney. A expectativa era repetir o desempenho de outros live actions bem-sucedidos do estúdio, capazes de transformar nostalgia em bilhões nas bilheterias globais.

O que se viu, porém, foi um desempenho muito abaixo do esperado. A arrecadação mundial mal ultrapassou os 200 milhões de dólares, valor insuficiente até mesmo para cobrir os custos de produção, sem considerar gastos com marketing, distribuição e campanhas promocionais. Para um estúdio acostumado a margens confortáveis, o resultado soou como um alerta vermelho.

Dirigido por Marc Webb e estrelado por Rachel Zegler, o longa não conseguiu se firmar nem como evento familiar nem como releitura ousada. Parte do público se manteve distante, enquanto a crítica apontou problemas de ritmo, escolhas estéticas controversas e dificuldades em equilibrar tradição e atualização narrativa. O fracasso comercial rapidamente passou a ser tratado como um dos maiores tropeços recentes da companhia.

Polêmicas acumuladas e um caminho direto para os anti-Oscar

Os problemas começaram muito antes da estreia. Anunciado ainda em 2016, o filme enfrentou uma produção longa e turbulenta, atravessada por paralisações da indústria, adiamentos sucessivos e debates intensos nas redes sociais. Decisões criativas, como o uso extensivo de CGI para representar os sete anões, dividiram opiniões e alimentaram críticas constantes.

Declarações públicas de integrantes do elenco e discussões externas ao próprio filme ajudaram a criar um ambiente de desgaste que antecedeu sua chegada aos cinemas. Quando finalmente estreou, em março de 2025, a produção já carregava uma imagem negativa difícil de reverter. O esforço de modernizar a narrativa clássica foi reconhecido por alguns, mas considerado confuso e pouco eficaz por muitos outros.

Um ano depois, o projeto voltou ao centro das atenções ao surgir como um dos favoritos às indicações do Razzie Awards, premiação conhecida por destacar os piores desempenhos do cinema. O filme aparece entre os mais indicados, concorrendo em categorias como pior filme, pior remake, pior direção e pior roteiro. Uma das indicações mais comentadas envolve justamente o conjunto dos personagens digitais, sinalizando que escolhas técnicas também pesaram contra a obra.

O alívio tardio no streaming e a lição para o estúdio

A chegada ao catálogo do Disney+ trouxe um pequeno respiro. Nas primeiras semanas, o filme figurou entre os títulos mais assistidos da plataforma, impulsionado pela curiosidade do público e pela repercussão negativa acumulada. Ainda assim, o desempenho no streaming não foi suficiente para compensar o impacto financeiro e simbólico do fracasso nos cinemas.

Para a Disney, o episódio funciona como um recado claro: nem mesmo os clássicos mais protegidos estão imunes a rejeição. Orçamentos elevados e marcas consagradas já não garantem sucesso automático. Em um cenário de público mais crítico e saturado de remakes, o risco de errar ficou mais caro — e mais visível.

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