O consumo de entretenimento mudou radicalmente nos últimos anos. Hoje, grande parte das decisões sobre o que assistir nasce em vídeos curtos, recomendações automáticas e feeds infinitos que lembram redes sociais como TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts. Agora, a Amazon quer aproveitar exatamente esse comportamento dentro do Prime Video.
A empresa anunciou oficialmente o Clips, uma nova função que adiciona um feed vertical de vídeos curtos ao aplicativo móvel do serviço de streaming. A proposta é simples: permitir que o usuário descubra filmes, séries e eventos esportivos por meio de pequenos trechos personalizados, sem precisar navegar longamente pelo catálogo.
Prime Video aposta em vídeos curtos para prender a atenção

A novidade coloca o Prime Video no mesmo caminho já explorado por plataformas como Netflix e Disney+, que vêm adaptando suas interfaces para uma lógica mais dinâmica e visual.
No caso da Amazon, o Clips funciona como um carrossel de vídeos rápidos disponível na tela inicial do aplicativo. Ao tocar em um dos trechos, o usuário entra em um feed vertical em tela cheia que exibe novos fragmentos relacionados aos seus interesses e histórico de consumo.
Os vídeos incluem trailers, cenas marcantes, momentos esportivos e recomendações personalizadas. A ideia é reduzir o tempo gasto escolhendo algo para assistir — um problema cada vez mais comum nos serviços de streaming.
Segundo Brian Griffin, diretor global de experiência de aplicativos do Prime Video, o objetivo é tornar a descoberta de conteúdo “mais simples e fluida”, oferecendo recomendações moldadas pelos hábitos individuais de cada usuário.
A influência direta do TikTok no futuro do streaming
A movimentação da Amazon mostra como o modelo popularizado pelo TikTok se tornou praticamente inevitável no entretenimento digital. Plataformas perceberam que os usuários estão mais acostumados a descobrir conteúdos em vídeos rápidos do que navegando por menus tradicionais.
Esse formato também favorece a retenção de atenção em dispositivos móveis, área onde a concorrência entre streamings se tornou extremamente agressiva.
Além de assistir aos trechos, os usuários poderão iniciar imediatamente a reprodução do título completo, alugá-lo, comprá-lo, adicioná-lo à lista de acompanhamento ou compartilhar os clipes por aplicativos de mensagem, redes sociais e e-mail.
A funcionalidade começou originalmente com resumos de jogos da NBA durante a temporada 2025-26, mas agora foi expandida para filmes e séries do catálogo geral da plataforma.
As mudanças fazem parte de uma reformulação maior do app
O lançamento do Clips não acontece isoladamente. Ele integra uma estratégia mais ampla da Amazon para transformar o Prime Video em um ambiente mais moderno e otimizado para celulares.
Entre as novidades recentes do aplicativo estão:
- uma nova página inicial com trailers em reprodução automática;
- imagens verticais redesenhadas para mostrar mais títulos na tela;
- um player atualizado que permite explorar informações do elenco e conteúdos relacionados sem interromper o vídeo em reprodução.
Segundo a empresa, a intenção é fazer do Prime Video um “destino principal de entretenimento”, onde encontrar algo interessante aconteça em poucos segundos.
Inicialmente, o Clips está disponível apenas para usuários selecionados nos Estados Unidos que utilizam iPhone, Android ou tablets Fire. A Amazon afirma que a expansão para mais usuários acontecerá gradualmente ao longo do verão norte-americano de 2026.
Disney também quer transformar seu streaming em uma “super app”

A disputa entre gigantes do entretenimento não para no feed vertical. Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, a Disney estaria avaliando transformar o Disney+ em uma espécie de “super aplicativo”.
A ideia seria integrar o streaming com serviços ligados aos parques da empresa e aos cruzeiros da Disney Cruise Line. Na prática, o usuário poderia acessar filmes, séries, reservas de hotéis, informações de viagens e experiências presenciais dentro do mesmo aplicativo.
O projeto ainda estaria em fase inicial, mas conta com apoio de Josh D’Amaro, presidente da divisão de parques e experiências da Disney.
A inspiração viria de plataformas como o WeChat, da China, que concentram múltiplos serviços em um único ecossistema digital.
Se avançar, a proposta pode representar uma mudança importante na maneira como empresas de entretenimento tentam manter usuários conectados às suas marcas o maior tempo possível — não apenas assistindo conteúdos, mas vivendo toda a experiência dentro de um único aplicativo.
[ Fonte: Infobae ]