Pular para o conteúdo
Ciência

Da IA às pandemias: The Lancet identifica 17 ameaças à saúde humana até 2100

Relatório reúne riscos tecnológicos, ambientais e sociais. Guerra nuclear e uso malicioso da inteligência artificial aparecem como ameaças com potencial de extinção.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O futuro da saúde mundial depende de decisões que ultrapassam hospitais e laboratórios. Uma comissão internacional ligada à revista The Lancet identificou 17 ameaças capazes de causar perdas enormes até 2100. Entre elas estão pandemias, mudanças climáticas, desigualdade e uso malicioso da inteligência artificial. O documento distingue riscos catastróficos à saúde de cenários com potencial de extinção, sem apresentar o desaparecimento da humanidade como um destino inevitável.

Dois riscos colocam a sobrevivência em jogo

A fronteira entre humanos e robôs acaba de ficar visualmente um pouco mais difícil de perceber
© YouTube

O uso malicioso da IA e um conflito nuclear ocupam a categoria mais extrema da avaliação. A preocupação envolve, entre outros cenários, o emprego da tecnologia no desenvolvimento de armas biológicas e uma guerra nuclear acompanhada de fome em escala global.

O relatório da Comissão sobre Ameaças Globais à Saúde no Século XXI trabalha com futuros possíveis. Avaliar um cenário de extinção não significa prever que ele ocorrerá.

A comissão reconhece maior incerteza nas estimativas sobre IA, conflitos nucleares e futuras pandemias. A falta de dados históricos suficientes exige métodos alternativos, incluindo avaliações estruturadas de especialistas. Por isso, essas projeções devem funcionar como referências para prevenção, sem ganhar a aparência de probabilidades exatas. 

As outras ameaças já afetam milhões de pessoas

Equação Climática
© FreePik

A lista também reúne problemas conhecidos, muitos deles responsáveis por doenças e mortes atualmente. As outras 15 ameaças são:

  • Poluição atmosférica.
  • Resistência aos antimicrobianos.
  • Desnutrição infantil.
  • Mudanças climáticas.
  • Colapso da assistência internacional ao desenvolvimento em saúde.
  • Conflitos convencionais.
  • Consumo elevado de álcool.
  • Hipertensão arterial.
  • Desigualdade de renda.
  • Baixa escolaridade.
  • Pandemias de origem natural.
  • Obesidade.
  • Problemas de saúde mental.
  • Tabagismo.
  • Envelhecimento pouco saudável.

Esses fatores não representam, individualmente, a mesma ameaça de extinção atribuída aos dois cenários extremos. Sua presença no relatório reflete a capacidade de causar perdas maciças de saúde ao longo do século. 

Essa distinção muda a leitura da lista. O perigo não se resume a um evento repentino e espetacular. Também inclui danos persistentes que se acumulam durante décadas, atravessando gerações e pressionando os sistemas de atendimento.

O impacto vai além do número de mortes

A análise utiliza anos de vida ajustados por incapacidade, uma medida que combina perdas por morte prematura e períodos vividos com doenças ou limitações. Assim, permite comparar ameaças com efeitos muito diferentes.

Os pesquisadores trabalharam com informações de 204 países e territórios e um horizonte entre 2025 e 2100. A proposta é observar consequências de longo prazo que decisões políticas imediatas podem deixar de considerar.

O documento também projeta que a esperança de vida mundial crescerá mais rapidamente que a expectativa de vida saudável. Isso aponta para um futuro em que viver mais exigirá enfrentar uma carga maior de doenças crônicas e incapacidades. 

Os riscos ainda podem se reforçar. Uma crise não precisa terminar para que outra comece, e populações com menos recursos tendem a encontrar maiores dificuldades para se proteger.

A resposta precisa começar antes da crise

Corona
© EFE

Na apresentação da comissão no World Health Summit, os autores defenderam três caminhos: preparar sistemas de saúde, ampliar investimentos em inovação e acompanhar continuamente as ameaças.

Isso inclui prevenção, financiamento duradouro e desenvolvimento de ferramentas como vacinas e antibióticos. A comissão também propõe um monitor para atualizar as avaliações conforme novas evidências surgirem. O documento pretende orientar ações e investimentos, sem estabelecer uma classificação definitiva dos perigos. 

A mensagem central é que o horizonte de 2100 permanece aberto. Identificar ameaças ajuda a mostrar onde escolhas atuais podem reduzir danos futuros. Transformar esse conhecimento em preparação depende de cooperação entre setores e países, antes que os cenários mais graves se materializem.

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados