A explosão da inteligência artificial e dos serviços digitais está transformando a América Latina em um território cada vez mais estratégico para a construção de data centers. Depois de um crescimento recorde em 2025, o setor mantém o ritmo acelerado em 2026, com Brasil, México, Chile e Colômbia concentrando grande parte dos novos investimentos.
A lógica para escolher onde instalar essas gigantescas infraestruturas também mudou. O tamanho da economia deixou de ser o único fator decisivo. Agora, disponibilidade de eletricidade, água, conectividade, estabilidade regulatória e capacidade de expansão das redes pesam cada vez mais.
Segundo a JLL, a capacidade instalada de data centers na América Latina chegou a 1,1 gigawatt em 2025, crescimento de aproximadamente 20% em apenas um ano.
Brasil continua liderando os data centers na América Latina

O Brasil permanece como principal mercado regional graças, principalmente, à sua infraestrutura energética e de telecomunicações.
Segundo Pedro Romero, executivo de cibersegurança da Huawei para a América Latina, o país combina disponibilidade de energia e água com uma rede de conectividade suficientemente desenvolvida para receber grandes instalações.
São Paulo e Barueri aparecem como dois dos principais polos dessa expansão.
O relatório da JLL destaca que essas cidades concentram uma parcela significativa da infraestrutura regional. Os investimentos também incluem sistemas de redundância energética, fundamentais para instalações que precisam funcionar continuamente.
Para um data center, uma interrupção de eletricidade pode significar indisponibilidade de serviços utilizados por milhões de pessoas. Por isso, acesso a energia confiável se tornou uma das principais vantagens competitivas do setor.
México se transforma em outro gigante regional
O México também ganhou espaço rapidamente e se consolidou em 2026 como um dos mercados mais atraentes para novos data centers.
Querétaro é o principal exemplo dessa transformação.
Segundo dados da JLL, Querétaro, São Paulo e Barueri responderam conjuntamente por 82% das novas entregas de capacidade regional durante o último ano.
A localização mexicana combina infraestrutura tecnológica, conectividade internacional e disponibilidade de recursos energéticos. Além disso, a proximidade com os Estados Unidos representa uma vantagem importante para empresas que precisam reduzir a latência de seus serviços.
A estabilidade regulatória e a capacidade de receber novos projetos tecnológicos também aumentaram o interesse de operadores internacionais.
Colômbia surge como mercado de alto potencial
A Colômbia ainda possui uma infraestrutura menor quando comparada ao Brasil e ao México, mas aparece como um dos mercados com maior potencial de expansão.
Um dos seus principais diferenciais é a matriz elétrica predominantemente renovável, além de uma localização estratégica para conectar diferentes mercados latino-americanos.
No entanto, o crescimento dependerá de novos investimentos.
Segundo Romero, a Colômbia precisará ampliar sua infraestrutura elétrica e suas redes de telecomunicações, além de preservar um ambiente regulatório previsível.
Se conseguir cumprir essas condições, o país poderá aumentar significativamente sua capacidade de atrair novos projetos.
Inteligência artificial coloca as redes elétricas sob pressão

O crescimento dos data centers também traz um problema: essas instalações consomem enormes quantidades de eletricidade.
Com a expansão da IA generativa, essa demanda aumenta ainda mais. Treinar e executar grandes modelos de inteligência artificial exige milhares de processadores trabalhando simultaneamente.
Em algumas partes da América Latina, a demanda tecnológica já cresce mais rapidamente do que a expansão das redes de transmissão elétrica. Isso pode atrasar novos projetos mesmo quando existe interesse de investidores.
Outro obstáculo está na mão de obra especializada.
Américo de Paula, diretor da AWS para o norte da América Latina e Caribe, aponta a falta de profissionais capacitados em inteligência artificial e a dificuldade das empresas para estruturar seus dados como desafios importantes para a transformação digital regional.
A cibersegurança também ganhou prioridade. Quanto maior a dependência dessas infraestruturas, maior o impacto potencial de ataques contra sistemas críticos.
AWS prepara bilhões em novos investimentos
A Amazon Web Services (AWS) é uma das empresas que aceleram essa transformação.
A companhia considera fatores como regulamentação, impostos e estabilidade política antes de decidir onde instalar ou ampliar sua infraestrutura.
Em 2026, a AWS mantém infraestrutura de data centers no Brasil e no México, enquanto prepara novos projetos em outros mercados latino-americanos.
No Chile, a companhia avança com um investimento de aproximadamente US$ 4 bilhões. Na Colômbia, prepara uma nova zona local em Bogotá conectada à infraestrutura nos Estados Unidos, com o objetivo de diminuir a latência e aumentar a disponibilidade dos serviços.
A corrida pelos data centers, portanto, está apenas começando.
Com a demanda por inteligência artificial crescendo rapidamente, países capazes de oferecer energia abundante, conectividade, segurança e estabilidade regulatória terão uma vantagem cada vez maior. E a América Latina pode acabar ocupando uma posição muito mais importante na infraestrutura que sustenta a próxima geração da internet.
[ Fonte: Infobae ]