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Ciência

De pílulas coloridas a cirurgias abandonadas: seis tratamentos antigos para emagrecer que fracassaram — e o que aprendemos antes da era do Ozempic

Muito antes dos remédios modernos para obesidade, a medicina testou soluções que hoje parecem extremas — e perigosas. De substâncias tóxicas a combinações improvisadas de drogas, esses tratamentos deixaram um legado de alertas. Agora, com novas terapias como o semaglutida, o cenário começa a mudar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Tentar emagrecer é uma experiência comum — e, para muitos, frustrante. Durante décadas, a medicina buscou soluções rápidas para a obesidade, nem sempre com sucesso. Algumas dessas abordagens chegaram a se popularizar, mas acabaram abandonadas por falta de eficácia ou por riscos graves à saúde.

Nos últimos anos, medicamentos como o semaglutida, presente em Ozempic e Wegovy, mudaram esse cenário. Ao imitar o hormônio GLP-1, essas drogas ajudam a controlar o apetite e os níveis de insulina, trazendo resultados mais consistentes. Ainda assim, a história dos tratamentos anteriores ajuda a entender como a ciência chegou até aqui.

DNP: emagrecimento rápido com risco extremo

O 2,4-dinitrofenol (DNP) foi uma das primeiras substâncias usadas para perda de peso, ainda na década de 1930. Ele atua alterando o funcionamento das mitocôndrias, fazendo o corpo gastar mais energia — e gerar mais calor.

O problema é que esse mecanismo pode literalmente levar o corpo ao superaquecimento fatal. Além disso, efeitos como cegueira, surdez e falência renal foram relatados. Com uma margem de segurança muito pequena entre dose eficaz e dose letal, o DNP acabou proibido em vários países — embora ainda seja usado ilegalmente.

Lap band: a promessa que não se sustentou

A banda gástrica ajustável, conhecida como lap band, foi uma alternativa menos invasiva às cirurgias bariátricas tradicionais. O procedimento consistia em colocar uma faixa ao redor do estômago para reduzir sua capacidade.

Inicialmente, os resultados pareciam promissores. Mas, com o tempo, surgiram complicações como infecções, deslocamento do dispositivo e necessidade de novas cirurgias. Muitos pacientes também voltavam a ganhar peso.

Hoje, o método caiu em desuso, substituído por técnicas mais eficazes, como a gastrectomia vertical.

Fen-phen: sucesso rápido, consequências graves

A combinação de fenfluramina e fentermina, conhecida como fen-phen, se tornou extremamente popular nos anos 1990. Estima-se que tenha chegado a milhões de prescrições por ano.

Apesar da eficácia no controle do apetite, o tratamento nunca passou por testes clínicos robustos. Com o tempo, surgiram evidências de efeitos colaterais graves, como doenças nas válvulas cardíacas e hipertensão pulmonar.

Em 1997, a Food and Drug Administration determinou a retirada da fenfluramina do mercado, encerrando o uso da combinação.

Lorcaserina: promessa moderada, risco inesperado

A lorcaserina foi aprovada em 2012 como uma nova opção para emagrecimento, após anos sem avanços na área. Seus resultados, no entanto, eram modestos.

O golpe final veio anos depois, quando análises indicaram um possível aumento no risco de câncer entre usuários. Em 2020, a agência reguladora americana solicitou sua retirada do mercado, encerrando sua trajetória.

Rainbow pills: mistura perigosa de medicamentos

As chamadas rainbow pills marcaram as décadas de 1940 e 1950. Eram combinações de diferentes drogas — como estimulantes, diuréticos e hormônios — acompanhadas de sedativos para conter os efeitos colaterais.

O resultado foi uma mistura imprevisível e perigosa, com doses inconsistentes e alto risco de complicações. Pelo menos 60 mortes foram associadas a essas pílulas antes de sua proibição.

Curiosamente, alguns especialistas apontam que certos suplementos atuais repetem essa lógica, com pouca regulação e composição duvidosa.

Efedra: natural, mas longe de ser segura

A efedra, planta usada tradicionalmente, ganhou popularidade nos anos 1990 como suplemento para emagrecimento e desempenho esportivo. Seu principal composto, a efedrina, é um potente estimulante.

Com o aumento do uso, surgiram relatos de efeitos adversos graves, incluindo hipertensão, AVC e até morte súbita. O caso de um jogador de beisebol nos EUA, que morreu após consumir o produto, acelerou sua proibição.

Em 2004, a Food and Drug Administration baniu suplementos contendo efedrina.

O que mudou na nova era dos tratamentos

A história desses tratamentos revela um padrão: soluções rápidas, muitas vezes com riscos subestimados. Em comparação, os medicamentos modernos passaram por testes clínicos rigorosos e oferecem resultados mais consistentes.

Ainda assim, eles não são perfeitos. Podem causar efeitos colaterais e, em muitos casos, o peso volta após a interrupção.

A principal lição é clara: não existe solução mágica para o emagrecimento. Mas, com avanços científicos e maior controle regulatório, estamos finalmente entrando em uma fase mais segura — e eficaz — no tratamento da obesidade.

 

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