Elon Musk não é apenas um dos empresários mais influentes do planeta — ele também ocupa uma posição privilegiada como fornecedor do governo dos Estados Unidos por meio da SpaceX. Nos últimos meses, no entanto, seus comentários públicos sobre a guerra têm causado apreensão. Musk vem defendendo que os conflitos armados podem trazer benefícios estruturais às sociedades, despertando receios sobre o uso de seu poder e influência.
Musk vê a paz como um risco para o futuro
Na última segunda-feira, Musk escreveu em sua conta na rede X (antigo Twitter):
“A história mostra que civilizações em longos períodos de paz sem ameaças externas tendem a registrar queda de natalidade após algumas gerações. Os romanos já se preocupavam com isso.”
O empresário frequentemente menciona o Império Romano como modelo, e vem sugerindo que a prosperidade em tempos de paz enfraquece as sociedades, especialmente no que se refere à taxa de natalidade — principalmente entre os mais ricos dos países ocidentais.
Guerra como “função purificadora”?
Em maio, durante o Fórum Econômico do Catar, Musk foi ainda mais direto:
“Sem guerras existenciais prolongadas, não há mecanismos que limpem leis e regulações inúteis.”
A declaração causou uma onda de críticas. Musk também atacou a jornalista que o entrevistava, chamando-a de “NPC” (personagem não jogável) e insinuou que opositores deveriam ser presos. Isso marcou seu afastamento do governo Trump, com quem rompeu após divergências internas — embora suas empresas continuem sendo altamente financiadas pelo Estado.
Conflito com Trump e influência intacta
Apesar do rompimento, Musk mantém uma posição estratégica. De acordo com o Washington Post, suas empresas já receberam mais de 38 bilhões de dólares em contratos e subsídios públicos. Mesmo quando Trump ameaçou cortar verbas, o Wall Street Journal revelou que a SpaceX era considerada “essencial demais” para ser deixada de lado.
A tensão aumentou após Musk acusar Trump de envolvimento nos arquivos ligados a Jeffrey Epstein. Ainda assim, nenhum corte significativo foi feito. Isso levanta preocupações sobre a extensão do poder de Musk, mesmo fora do governo.
Quando a guerra vira interesse de negócios
Musk não esconde que suas motivações são claras — e frequentemente lucrativas. Quanto mais satélites são lançados, mais contratos vão para a SpaceX. Sua fortuna pessoal depende, em parte, de recursos estatais ligados à segurança nacional. Por isso, suas falas sobre guerra como algo “benéfico” soam alarmantes. Afinal, para alguém com tanto poder, ideias perigosas podem se transformar em estratégias concretas.