Pular para o conteúdo
Ciência

O Exemplo da Coreia do Sul: Como Reverter Uma Crise de Natalidade?

Após anos sendo símbolo do declínio populacional global, a Coreia do Sul acaba de apresentar números que pegam especialistas de surpresa. O aumento nos nascimentos pode indicar uma reviravolta histórica — ou o início de uma nova fase. O que está por trás desse fenômeno e o que outros países podem aprender com isso?
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

Durante anos, a Coreia do Sul foi referência negativa no debate sobre o envelhecimento populacional e a queda de natalidade. Com números alarmantes e uma crise demográfica declarada, o cenário parecia sem saída. No entanto, dados recentes revelam uma reviravolta inesperada. Será um acaso estatístico ou o resultado de políticas bem planejadas? A seguir, os sinais, causas e limites dessa possível mudança de rumo.

Um salto inesperado em meio à crise

Até pouco tempo atrás, as estatísticas populacionais sul-coreanas apontavam para um futuro sombrio. A taxa de fertilidade estava entre as mais baixas do mundo, abaixo do necessário para repor a população. Porém, em abril de 2025, o país registrou 20.717 nascimentos, um aumento de 8,7% em relação ao mesmo mês de 2024.

Esse salto representa o maior crescimento interanual em mais de 30 anos e rompe a barreira dos 20 mil nascimentos mensais — algo que não acontecia desde 2021. Outro dado promissor é o aumento no número de casamentos: 18.921 uniões registradas, alta de 4,9%. Em um país onde a maioria dos nascimentos ocorre dentro do casamento, isso é altamente relevante.

Crise De Natalidade (2)
© Vishnu Murali – Pexels

O que pode estar por trás da mudança?

Embora a pandemia tenha adiado muitos casamentos e planos de filhos, especialistas acreditam que o movimento de recuperação começou ainda no fim de 2024. Segundo o órgão Statistics Korea, três fatores explicam o fenômeno:

  • Aumento de casamentos.

  • Crescimento da população feminina entre 30 e 39 anos (geração nascida entre 1991 e 1995).

  • Políticas públicas eficazes de incentivo à natalidade.

Essas políticas incluem auxílios financeiros por nascimento, licenças parentais mais longas, benefícios fiscais, creches subsidiadas e até programas voltados para o incentivo a relacionamentos e à formação de famílias. A estratégia vai além de estímulos pontuais: busca criar um ambiente sustentável para quem deseja ter filhos.

Esperança com cautela: o desafio ainda é grande

Apesar do avanço, o cenário ainda é desafiador. A taxa nacional de fertilidade continua baixa — 0,79 filhos por mulher, bem distante dos 2,1 necessários para renovação populacional sem depender de imigração. Além disso, o número de mortes segue maior que o de nascimentos: 28.785 óbitos em abril, 0,8% a mais que no ano anterior.

Mesmo assim, a Coreia do Sul mostra que é possível mudar o curso de uma crise demográfica. Persistência política, mudanças sociais e um impulso geracional talvez sejam o segredo para reverter o declínio — ou, ao menos, para reacender a esperança.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados