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Tecnologia

DeepSeek virou ferramenta de hackers por um motivo que vai muito além da inteligência

Hackers passaram a usar inteligência artificial para acelerar operações ofensivas, mas os casos mais impressionantes também revelam um limite importante dessa nova estratégia.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A inteligência artificial já entrou na rotina dos grupos de hackers e está tornando algumas etapas de um ataque muito mais rápidas. Reconhecimento, análise de sistemas e geração de código podem ser delegados a modelos que trabalham incansavelmente. Mas, quando a máquina precisa ir além da preparação e realmente invadir um sistema, a história fica bem mais complicada. E os casos documentados recentemente mostram exatamente onde está essa fronteira.

O novo aliado dos hackers trabalha em silêncio

Uma investigação da empresa de segurança TeamT5 identificou grupos ligados ao Estado chinês utilizando modelos de inteligência artificial em diferentes operações. Entre eles, o DeepSeek aparece com frequência, principalmente porque combina capacidade técnica, baixo custo e menos barreiras para tarefas relacionadas à cibersegurança.

A mudança mais importante, porém, não está necessariamente em uma IA capaz de invadir sistemas sozinha. O ganho está nas tarefas repetitivas que normalmente consumiriam horas de trabalho humano.

Um agente pode procurar softwares expostos, analisar vulnerabilidades conhecidas, consultar código disponível publicamente e ajudar a selecionar possíveis alvos. Em uma das operações analisadas, por exemplo, um sistema examinou 25.209 instâncias vulneráveis e reduziu a lista a apenas três candidatos.

Isso significa que um pequeno grupo de operadores pode potencialmente trabalhar em muito mais alvos ao mesmo tempo.

O problema é que encontrar uma porta aberta não significa necessariamente conseguir atravessá-la.

Quando a promessa de um hacker autônomo encontra a realidade

Os pesquisadores identificaram pelo menos três grupos utilizando modelos chineses em diferentes etapas de operações ofensivas. Um deles empregou DeepSeek para gerar código relacionado à exploração de vulnerabilidades. Outro utilizou IA em atividades ligadas a ataques contra correio eletrônico, enquanto um terceiro recorreu ao modelo para coletar endereços IP e mapear domínios.

São tarefas importantes, mas ainda estão principalmente no território do reconhecimento e da preparação.

Um caso analisado em profundidade pela Unidade 42, da Palo Alto Networks, torna essa diferença especialmente interessante. A inteligência artificial conseguiu identificar milhares de possíveis alvos e selecionar candidatos, mas não conseguiu comprometer nenhum deles de forma autônoma.

Os sistemas que acabaram sendo invadidos foram comprometidos por operadores humanos.

Isso não significa que a IA seja inútil para hackers. Pelo contrário: ela pode reduzir drasticamente o tempo necessário para chegar até o momento em que uma pessoa precisa tomar uma decisão crítica.

DeepSeek ganhou espaço por um motivo que vai além da inteligência

A preferência por DeepSeek também revela uma característica importante da atual corrida pela IA aplicada à cibersegurança.

Segundo a TeamT5, modelos ocidentais podem ser bastante procurados, mas seus mecanismos de segurança tornam determinadas tarefas ofensivas mais difíceis. Outros modelos chineses podem ser ainda mais poderosos, mas seu custo operacional pode impedir que sejam utilizados em operações de grande escala.

É por isso que preço e permissividade acabam sendo tão importantes quanto capacidade.

O fenômeno, entretanto, não está restrito aos modelos chineses. Pesquisadores também documentaram o uso de Claude Code, da Anthropic, e de ChatGPT, da OpenAI, em operações relacionadas a invasões e desenvolvimento de ferramentas ofensivas.

Em um caso revelado anteriormente pela Anthropic, um grupo atribuído com alta confiança ao Estado chinês conseguiu fazer Claude Code executar grande parte de uma campanha de espionagem. Ainda assim, o próprio sistema apresentou erros, superestimou descobertas e chegou a fabricar informações durante a operação.

O verdadeiro perigo pode ser menos cinematográfico

É justamente aí que está a principal conclusão desses episódios.

A IA não precisa se transformar em um hacker completamente autônomo para alterar profundamente a cibersegurança. Se conseguir automatizar reconhecimento, análise de vulnerabilidades, coleta de informações e preparação de ataques, já poderá aumentar significativamente a quantidade de operações realizadas por uma mesma equipe.

O cenário mais provável, portanto, não é necessariamente o de máquinas substituindo completamente hackers humanos.

É o de humanos supervisionando sistemas capazes de fazer em minutos tarefas que antes exigiam horas.

E essa diferença é fundamental. Os casos documentados até agora mostram que a autonomia completa ainda enfrenta obstáculos consideráveis. Mas também deixam claro que o custo de preparar um ataque está caindo — e isso pode ser suficiente para transformar a escala das ameaças digitais nos próximos anos.

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