Durante participação no podcast Redcast, no dia 18 de setembro, Bilynskyj afirmou que Norte e Nordeste formariam um novo país, enquanto Centro-Oeste, Sudeste e Sul seriam unidos em outro bloco. Segundo ele, o argumento estaria ligado à desproporção entre número de senadores e população dos estados.
“O Norte vota no Lula, o Sul vota no Bolsonaro, pronto, acabou”, disse o deputado, ao justificar a divisão. A fala, no entanto, ignora dados das eleições de 2022, quando Jair Bolsonaro recebeu 51,03% dos votos no Norte, contra 48,97% de Lula.
Questionado pelo apresentador sobre se isso não configuraria separatismo, Bilynskyj respondeu: “Qual o problema? Historicamente, quanto maior a extensão territorial, maior a tendência à ditadura. Quanto menor o país, mais democrático ele é”.
Quem é Paulo Bilynskyj

Bilynskyj, de 38 anos, é delegado licenciado da Polícia Civil de São Paulo e deputado federal pelo PL. Ele integra a chamada bancada da bala e acumula histórico de processos disciplinares na carreira policial. Documentos revelados pelo Metrópoles mostram que, desde o estágio probatório, iniciado em 2012, havia recomendações para que ele não fosse confirmado na corporação.
Ao todo, o parlamentar respondeu a mais de 12 expedientes disciplinares, incluindo advertências e suspensões. O último episódio registrado envolveu a colisão de uma viatura conduzida por ele contra um veículo particular, o que resultou em pedido de “não confirmação na carreira”.
Acusações de apologia ao estupro e racismo
Um dos casos mais graves ligados ao deputado aconteceu em 2019, quando ele divulgou em suas redes sociais uma propaganda de um curso preparatório para concursos. O vídeo mostrava homens negros conduzindo uma mulher para um quarto, em alusão a abuso sexual. Na legenda, Bilynskyj utilizou termos racistas e ofensivos.
O episódio levou o Ministério Público de São Paulo a instaurar inquérito por apologia ao estupro e racismo. O processo resultou em um acordo de não persecução penal, já cumprido por Bilynskyj e outros envolvidos.
A fala sobre dividir o Brasil em dois mostra como pautas extremadas ainda encontram espaço no debate público. Mais do que provocar polêmica, esse tipo de discurso levanta questionamentos sobre representatividade política, responsabilidade de parlamentares e os riscos de normalizar ideias separatistas em um país marcado pela diversidade e pela complexidade regional.
[Fonte: Metrópoles]