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Ciência

Descoberta no fundo do mar revela vestígios ocultos da Segunda Guerra Mundial

Durante uma expedição nas profundezas do Pacífico, cientistas encontraram relíquias inesperadas em um navio com história marcante. As imagens revelam detalhes que resistiram ao tempo e à guerra.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma recente expedição realizada no Oceano Pacífico trouxe à tona fragmentos esquecidos de um dos episódios mais emblemáticos da história militar dos Estados Unidos. No interior dos destroços do USS Nevada — navio de guerra que participou das duas grandes guerras mundiais — foram localizados objetos pessoais que remontam à rotina de marinheiros há mais de 80 anos. O achado oferece uma rara visão do cotidiano a bordo de uma embarcação de combate.

Relíquias esquecidas no fundo do oceano

Em 24 de março, uma equipe da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) realizou uma operação de inspeção no local onde repousam os restos do USS Nevada. A embarcação, com impressionantes 27,5 mil toneladas, foi usada ativamente durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, incluindo o emblemático ataque a Pearl Harbor.

Embora armas e munições tenham sido removidas antes de sua desativação, vários itens do dia a dia dos marinheiros permaneceram a bordo. Entre os objetos encontrados estão colchões, pias, latas de tinta, armários, utensílios e até uma bota solitária, ainda com os cadarços amarrados. Imagens registradas no local mostram o calçado entre correntes metálicas próximas à proa da embarcação.

A transmissão ao vivo da exploração, feita pelo canal da NOAA no YouTube, permitiu ao público acompanhar em tempo real os achados surpreendentes, muitos dos quais permaneciam ocultos desde os tempos de guerra.

A trajetória de um navio sobrevivente

Construído em 1912, o USS Nevada foi incorporado oficialmente à marinha dos EUA em 1916. Durante a Primeira Guerra Mundial, sua missão era escoltar comboios que transportavam suprimentos para a Grã-Bretanha. Na Segunda Guerra, sua atuação foi ainda mais notável: durante o ataque japonês a Pearl Harbor, em 1941, foi o único navio de guerra que conseguiu se mover por conta própria.

Mesmo atingido por pelo menos cinco bombas, a tripulação conseguiu colocá-lo em operação. No entanto, os danos impediram que chegasse à costa. Para salvar a estrutura, os marinheiros optaram por encalhá-lo em águas rasas, o que permitiu a realização de reparos nas semanas seguintes.

O ataque, porém, deixou marcas profundas: dos 1.500 tripulantes, 76 foram mortos ou feridos, e nove permanecem desaparecidos até hoje.

Após os reparos, o USS Nevada retornou à linha de combate em 1943, onde permaneceu até o final da guerra. Já desgastado, foi então destinado a testes com bombas atômicas na região de Bikini, nas Ilhas Marshall, em 1946. As explosões danificaram ainda mais sua estrutura, tornando-o radioativo. Em 1948, o naufrágio foi ordenado: o navio foi rebocado até o mar próximo ao Havaí e afundado com tiros e torpedos.

Exploração inédita com tecnologia de telepresença

O local do naufrágio foi oficialmente redescoberto em 2020, a cerca de 5 mil metros de profundidade. No entanto, a operação realizada em 2024 marcou a primeira exploração detalhada por telepresença — tecnologia que permite o monitoramento remoto em tempo real por especialistas em diferentes locais do mundo.

O objetivo da missão foi aprofundar o conhecimento arqueológico e biológico sobre a embarcação e seu entorno. Durante a análise, foram observadas chapas metálicas deformadas, possivelmente resultado direto das explosões nucleares.

Além de trazer contribuições para a ciência, a exploração lança luz sobre um capítulo importante da história naval dos Estados Unidos, revelando como fragmentos da vida cotidiana podem resistir por décadas nas profundezas do oceano, silenciosos testemunhos de um passado ainda presente.

[Fonte: Revista Galileu]

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