Um achado próximo a Malindi, no Quênia, chamou a atenção mundial. Os restos de um antigo galeão, datados do século XVI, podem estar vinculados à terceira e última viagem de Vasco da Gama, trazendo novas perspectivas para a arqueologia marítima.
O que foi encontrado em Malindi?
Em 2013, Caesar Bita, arqueólogo dos Museus Nacionais do Quênia, localizou os restos de um naufrágio após uma indicação de um pescador local. O local, situado a cerca de 6 metros de profundidade, encontra-se em uma rota crucial usada por exploradores portugueses em suas viagens para a Índia.
Embora a identidade do navio fosse desconhecida inicialmente, as investigações realizadas em 2024 reforçaram a hipótese de que se trata do São Jorge, um dos navios da última expedição de Vasco da Gama. Esta descoberta é de grande importância devido à sua antiguidade e à sua possível ligação com um dos navegadores mais icônicos da história.
Vasco da Gama e sua última viagem
Vasco da Gama é lembrado por abrir a rota marítima para a Índia em 1497, conectando a Europa à Ásia e transformando o comércio global. Em 1524, durante sua terceira viagem à região, Da Gama liderava uma frota que navegava pela costa leste da África.
Durante esta expedição, o São Jorge afundou em um local indeterminado, enquanto o próprio Da Gama faleceu pouco depois na Índia. Se o navio encontrado em Malindi for realmente o São Jorge, este seria o naufrágio europeu mais antigo descoberto no Oceano Índico, tornando-o um tesouro histórico de grande relevância.
De acordo com o Infobae, a investigação do naufrágio reuniu especialistas de várias nacionalidades, incluindo Filipe Castro, arqueólogo da Universidade de Coimbra, que colaborou estreitamente com a equipe queniana. Os trabalhos revelaram artefatos como lingotes de cobre e fragmentos de marfim, típicos das cargas portuguesas da época.
O naufrágio, coberto por corais e sedimentos, apresenta desafios técnicos. Contudo, o estado de conservação de alguns elementos surpreendeu os arqueólogos, que destacaram o tamanho do navio e seu potencial para oferecer novos conhecimentos sobre a navegação no século XVI.
Importância da descoberta
A possível conexão com Vasco da Gama não é o único aspecto de destaque. Este naufrágio é um testemunho tangível da era dos descobrimentos e da tecnologia naval avançada de Portugal. Sua localização e contexto histórico reforçam a relevância do achado para entender melhor as dinâmicas comerciais e culturais daquela época.
Além disso, a participação da comunidade local foi essencial para proteger o local e garantir uma escavação responsável. O arqueólogo Sean Kingsley destacou a importância deste naufrágio, chamando-o de “pó de estrelas arqueológico” por sua raridade e valor histórico.
Esta descoberta não apenas lança luz sobre a história de Vasco da Gama, mas também ressalta a importância da arqueologia subaquática como ferramenta para recuperar capítulos esquecidos da humanidade.