Pular para o conteúdo
io9

Diretora de The Old Guard 2 faz da emoção e do encantamento sua bússola criativa

Victoria Mahoney transformou a aguardada sequência de The Old Guard em mais do que um épico de ação. Para além do confronto entre Charlize Theron e Uma Thurman, o filme aposta em coreografias carregadas de emoção e escolhas visuais que homenageiam o sentimento de admiração que só o cinema é capaz de despertar.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Depois de anos de atrasos, The Old Guard 2 finalmente chegou à Netflix. Com direção de Victoria Mahoney, o novo capítulo da saga imortal estrelada por Charlize Theron dá continuidade à história com mais ação e profundidade emocional. Mas, segundo a própria diretora, a prioridade não era apenas criar lutas impactantes — era fazer o público sentir. Sentir dor, perda, alegria e, acima de tudo, encantamento.

 

Uma narrativa guiada pela plausibilidade emocional

The Old Guard 1
© Netflix

Ao assumir o comando de The Old Guard 2, Mahoney teve como ponto de partida o trabalho da diretora anterior, Gina Prince-Bythewood. “O primeiro filme foi minha estrela-guia”, afirma. “Eu queria honrar tudo o que havia sido construído com tanto cuidado e sensibilidade, e garantir que a sequência mantivesse a honestidade e a verossimilhança diante da pergunta central: e se você pudesse viver para sempre?”

Para Mahoney, a emoção não é acessório — é o motor da história. E esse compromisso está presente em cada movimento de câmera, em cada troca de olhares entre os personagens e, especialmente, nas cenas de ação.

 

A luta como linguagem do sentimento

Embora os confrontos físicos sejam o coração de qualquer filme de ação, Mahoney quis ir além. “Eu precisava sentir o motivo de cada soco, cada esquiva, cada golpe. Não basta ser visualmente interessante. Tem que vir do corpo e da alma do personagem”, explica.

Para isso, ela se inspirou em sua infância repleta de aventuras e em sua experiência como atriz. “Desde pequena, eu pulava de árvores tentando imitar filmes de luta. Eu queria sentir aquilo de verdade. E é isso que tento transmitir como diretora.”

 

Charlize vs Uma: mais do que um duelo

A chegada de Uma Thurman, que interpreta a enigmática Discord, trouxe ainda mais peso dramático ao elenco. Mas o verdadeiro embate emocional ocorre entre Andy (Theron) e Quynh (Veronica Ngô), antigas companheiras imortais separadas por séculos de dor.

Mahoney revela que coreografou essa luta a partir dos cinco estágios do luto de Elisabeth Kübler-Ross — negação, raiva, barganha, depressão e aceitação — para transmitir a carga emocional acumulada em 500 anos de história. “Não era só uma briga. Era culpa, inveja, amor, saudade, tudo ao mesmo tempo. Cada ato da luta tem uma emoção distinta.”

Um detalhe importante: Mahoney pediu que Quynh demonstrasse, em algum momento da luta, que percebeu algo diferente em Andy — uma pista de que sua imortalidade foi perdida. “Foi um momento sutil, mas crucial. Essas nuances fazem a diferença entre uma cena boa e uma cena memorável.”

 

Viver no presente, filmar com consciência

The Old Guard 2
© Netflix/Skydance

Apesar do final em aberto que sugere um terceiro filme, Mahoney garante que sua atenção esteve sempre focada no presente. “Meu trabalho era contar essa história, neste momento. Eu deixei pistas que permitem expandir o universo, mas meu foco era proteger o que já existia e construir algo com autenticidade.”

Ela também destaca o cuidado em manter a continuidade e coerência com o primeiro filme, sem limitar a liberdade criativa do futuro da franquia. “Se houver um terceiro filme, será outra pessoa no comando — e estou animada para ver o que será feito.”

 

Encantamento: a missão secreta do cinema

No fim das contas, Mahoney revela seu verdadeiro objetivo: provocar encantamento. “Quero que o público se pergunte quem são esses personagens, o que eles comem, o que sentem, o que os move. Quero que se perguntem como aquela cena foi filmada, como aquele set foi construído. Quero que saiam do filme com perguntas — e com um brilho nos olhos.”

Para ela, o maior presente que um filme pode oferecer é despertar esse tipo de curiosidade. “Se fizermos com que as pessoas se lembrem de tratar alguém com gentileza porque ‘a vida é curta, mesmo quando é longa’, então já valeu a pena.”

 

The Old Guard 2 já está disponível na Netflix.

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados