Pular para o conteúdo
io9

Disney aposta em conteúdo gerado por IA e prepara grande reformulação no Disney+

O CEO Bob Iger anunciou que o Disney+ passará a permitir que usuários criem e compartilhem conteúdo curto com ferramentas de IA generativa. A empresa também planeja experiências gamificadas em parceria com a Epic Games. A iniciativa surge em meio a críticas públicas e disputas legais sobre o uso de inteligência artificial.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A Disney prepara uma das maiores mudanças na história do Disney+ desde o lançamento da plataforma, em 2019. Durante uma apresentação a acionistas, o CEO Bob Iger revelou que o serviço de streaming incorporará ferramentas de inteligência artificial para criação de conteúdo pelos próprios usuários. A estratégia surge em um momento em que a empresa tenta equilibrar inovação, proteção de propriedade intelectual e uma crescente preocupação do público com o uso de IA no entretenimento.

O plano da Disney para integrar IA generativa ao Disney+

Bob Iger afirmou que a companhia quer transformar a experiência do Disney+ em algo mais interativo. Para isso, o serviço permitirá que assinantes criem vídeos curtos com personagens e temas das franquias da empresa — usando IA generativa — e consumam conteúdos gerados por outros usuários.

Segundo o CEO, a iniciativa faz parte de um movimento para tornar o streaming mais engajador e “moldado pelo usuário”. Ele destacou que a plataforma também incluirá experiências gamificadas desenvolvidas em parceria com a Epic Games, responsável pelo Fortnite. A Disney e a Epic já colaboraram em temporadas especiais do jogo baseadas em Star Wars e The Simpsons — experiências que, no passado, chegaram a incluir até um Darth Vader dublado por IA.

Para Iger, essas mudanças representam “as transformações mais significativas do Disney+ desde 2019”.

IA, direitos autorais e tensões internas

Publicamente, a Disney tem adotado uma postura firme contra empresas de IA. O estúdio se uniu a Universal e Warner Bros. em processos contra plataformas como Midjourney e MiniMax, acusando-as de violar direitos autorais ao permitir a criação de imagens que replicam personagens protegidos.

Internamente, porém, a relação com a IA é mais ambígua. Em 2024, o Wall Street Journal revelou que executivos da Disney tentaram incluir generative AI em dois projetos: o remake live-action de Moana e o filme Tron: Ares. Mas as propostas foram barradas por receios sobre proteção de propriedade intelectual e medo de reação negativa do público.

Iger afirmou agora que o estúdio teve “conversas produtivas” com empresas de IA para encontrar acordos que protejam o catálogo da Disney — mas não revelou quais empresas participaram das negociações.

O fantasma do backlash: Marvel já enfrentou críticas duras

A Disney ainda não resolveu o maior de seus problemas: a recepção do público.
A Marvel Studios, subsidiária da Disney, já sofreu grande rejeição por uso de IA em 2023, quando a abertura da série Secret Invasion trouxe imagens geradas por algoritmos. Mais recentemente, fãs acusaram posters de The Fantastic Four: First Steps de exibirem sinais de uso de IA, o que obrigou a Marvel a se defender publicamente.

Esses episódios mostram que parte da audiência vê o uso de IA como uma ameaça ao trabalho artístico humano — e isso pode dificultar a adoção mais ampla da tecnologia.

Disney+ tenta inovar em meio a crise de imagem

As iniciativas com IA chegam em um momento delicado para a reputação da Disney. Nos últimos meses, a empresa enfrentou críticas de setores progressistas por sua postura considerada complacente com o segundo governo Trump. Além disso, sofreu boicotes depois de suspender temporariamente o apresentador Jimmy Kimmel por comentários sobre a morte do ativista de direita Charlie Kirk.

Trazer ferramentas de criação com IA para o Disney+ pode ser uma aposta arriscada:
engenharia de engajamento ou novo foco de controvérsia?
A resposta dependerá tanto da qualidade da tecnologia quanto da reação do público.

O que vem pela frente

Com um elenco vasto de personagens icônicos — de Grogu a Homem-Aranha — a Disney parece apostar que conteúdos curtos criados por fãs podem revitalizar a plataforma, aumentar retenção e abrir espaço para novas formas de interação.

Mas ainda resta saber se os usuários aceitarão ver versões “estranhas” ou estilizadas desses personagens, criadas por ferramentas de IA. E, principalmente, se o estúdio conseguirá superar o ceticismo crescente sobre o uso da tecnologia.

Se depender da estratégia corporativa, a Disney está pronta para descobrir.

 

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados