A ideia de uma inteligência artificial capaz de superar o ser humano em raciocínio, criatividade e tomada de decisão — a chamada AGI, ou superinteligência — deixou o campo da ficção científica para se tornar, segundo as Big Techs, uma meta concreta. CEOs de empresas como OpenAI, Anthropic, Meta e Tesla afirmam que essa revolução está “logo ali”. Porém, um novo estudo sugere que a visão dos especialistas é bem menos apressada. A pergunta deixa de ser “se” e passa a ser “quando”.
As previsões ousadas do Vale do Silício
Nos últimos meses, líderes de IA fizeram promessas cada vez mais ambiciosas.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirmou no Fórum Econômico Mundial que sistemas mais inteligentes que humanos em quase tudo podem surgir entre 2026 e 2027.
Elon Musk foi além: para ele, uma IA mais inteligente que qualquer pessoa surgirá ainda este ano, e uma inteligência superior a toda a humanidade combinada chegaria até 2030.
Sam Altman, da OpenAI, declarou que a AGI “provavelmente será desenvolvida” antes do fim do atual mandato de Donald Trump.
Essa visão é compartilhada por Meta, que criou uma divisão dedicada à superinteligência e investe bilhões para alcançá-la.
O que os especialistas realmente dizem
A pesquisa Longitudinal Expert AI Panel, do Forecasting Research Institute, consultou cientistas da computação, economistas, pesquisadores e profissionais da indústria.
O resultado: os especialistas acreditam que há apenas 23% de chance de a superinteligência surgir tão rápido quanto afirmam as Big Techs.
No cenário otimista descrito pelas empresas, a IA seria capaz de:
- Escrever romances dignos do Prêmio Pulitzer
- Resolver pesquisas complexas em dias
- Superar qualquer programador humano
- Descobrir curas inéditas para doenças
Mas, segundo os especialistas, mudanças profundas em sistemas sociais e econômicos não acontecem em 4 ou 5 anos.
Como resumiu um pesquisador:
“Todo trabalho parece fácil para quem não está realmente fazendo.”
Gargalos que podem atrasar a revolução
Alguns especialistas apontam que, mesmo com avanços rápidos, existem gargalos que podem desacelerar a transformação:
- Áreas onde a IA ainda desempenha mal tarefas cotidianas
- Limitações físicas (hardware, energia, chips)
- Sistemas econômicos e burocráticos lentos para absorver mudanças
- Falta de infraestrutura para escalar modelos gigantes
Em resumo: o software pode correr mais rápido do que o mundo real consegue acompanhar.
Nem todo mundo em tecnologia está convencido
Curiosamente, dentro da própria indústria há vozes céticas.
Mustafa Suleyman, chefe de IA da Microsoft, chamou a corrida pela superinteligência de “absurda”.
Marc Benioff, CEO da Salesforce, descreveu o hype da AGI como um caso de “hipnose coletiva”.
Ao mesmo tempo, uma parte dos cientistas que acredita no surgimento da superinteligência não vê isso como algo positivo.
Em 2023, mais de 100 mil pesquisadores e líderes da tecnologia assinaram um pedido para suspender o desenvolvimento de sistemas avançados até que existam garantias de segurança.
Entre os signatários estão Steve Wozniak, Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio.
Então, quando a IA vai mudar tudo?
Mesmo céticos quanto ao cronograma, os especialistas concordam em uma coisa: a IA será transformadora.
A pesquisa indica que:
- Até 2030, a IA será companhia diária para cerca de 15% dos adultos
- Também poderá realizar cerca de 18% das horas de trabalho nos EUA
- E até 2040, a IA será vista como “a tecnologia do século”, comparável à eletricidade
Curiosamente, estudos anteriores mostraram que especialistas já erraram para menos: em 2022, eles previram que uma IA venceria a Olimpíada Internacional de Matemática em 2030 — um sistema do Google fez isso em 2024.
Uma revolução que ninguém sabe datar
A superinteligência pode estar próxima — ou pode demorar décadas.
O que está claro é que o debate passou do “se” para o “como queremos que ela chegue”.
A velocidade pode ser incerta, mas o impacto, segundo os especialistas, é inevitável.