Os dias de crescimento explosivo do Disney+ parecem estar definitivamente no passado. As ações da Disney caíram ligeiramente na quarta-feira após a divulgação dos resultados financeiros do último trimestre de 2024, que incluíram a notícia de que o serviço de streaming perdeu 700.000 assinantes. A empresa prevê novas quedas “modestas” ao longo de 2025, possivelmente como resultado de aumentos sucessivos de preço, do início da repressão ao compartilhamento de senhas e da redução dos gastos com conteúdo. Hulu foi um ponto positivo, adicionando 1,6 milhão de assinantes.
Atualmente, Disney+ tem 124,6 milhões de assinantes, uma queda em relação aos 125,3 milhões anteriores, enquanto Hulu cresceu para 53,6 milhões, acima dos 52 milhões anteriores. No geral, o desempenho financeiro da Disney superou as expectativas, com um lucro por ação de US$ 1,76 e uma receita de US$ 24,7 bilhões. Analistas de Wall Street esperavam ganhos de US$ 1,43 por ação com uma receita de US$ 24,55 bilhões. Os parques da Disney se saíram particularmente bem, algo que a maioria dos outros serviços de streaming não tem como suporte para complementar seus negócios.
Desde que Bob Iger retornou como CEO em 2022, determinado a recuperar o controle da empresa, ele estabeleceu um plano agressivo para alcançar a lucratividade no streaming, prometendo que Disney+ se tornaria financeiramente sustentável até o final de 2024. A empresa conseguiu cumprir essa meta, com o último trimestre do ano marcando seu terceiro trimestre consecutivo de rentabilidade no streaming. No entanto, isso exigiu uma gestão financeira mais rígida e a redução da atratividade do serviço, incluindo aumento de preços, introdução de um plano com anúncios e um esforço recente para combater o compartilhamento de senhas.
O Disney+ recebeu muitas críticas de fãs que alegaram que a empresa estava saturando seu próprio conteúdo, diluindo a qualidade de suas franquias ao produzir material em excesso. Após reassumir o cargo de CEO, Iger afirmou que a Disney reduziria a produção de conteúdo para melhorar a qualidade e rentabilidade do streaming, após anos de investimentos pesados tentando competir diretamente com a Netflix. Os investidores de Wall Street toleraram essa estratégia de alto gasto por um tempo, mas acabaram exigindo que empresas como Disney e Warner Bros. parassem de perder dinheiro e começassem a gerar lucros.
Enquanto isso, a Netflix continua a crescer e consolidar sua posição como líder absoluta no streaming. A plataforma adicionou um recorde de 19 milhões de assinantes no final de 2024, ultrapassando 300 milhões de assinantes no total, e encontrou sucesso com iniciativas que antes pareciam impensáveis, como a introdução de um plano com anúncios e a aposta em conteúdos ao vivo. Enquanto a Netflix enriquece cada vez mais, o restante da indústria de streaming parece estar ficando para trás.
O problema para a Disney e outros streamers é que seus catálogos continuam sendo muito menores do que o da Netflix e sofrem com uma taxa de cancelamento maior. Muitos consumidores assinam um serviço, assistem à nova temporada de sua série favorita e depois cancelam a assinatura. Já a Netflix, com seu enorme acervo de conteúdo, não enfrenta esse problema na mesma escala e continua investindo entre US$ 17 e 18 bilhões por ano em novas produções. Para piorar, o Disney+ é mais voltado para crianças e adolescentes, o que limita seu apelo para um público mais amplo; quantas vezes alguém realmente quer reassistir Os Simpsons? A Disney planeja gastar US$ 24 bilhões em conteúdo em 2025, mas 40% desse valor será destinado a direitos esportivos, o que pode significar uma redução nos investimentos em novas séries e filmes.
Por outro lado, a Disney ainda domina o mercado de entretenimento infantil e conseguiu lançar alguns sucessos em 2024, após anos de fracassos consecutivos, como Lightyear e Mundo Estranho. Seus parques temáticos lucrativos também criam um efeito cíclico — crianças que assistem ao conteúdo da Disney querem visitar os parques, cujos ingressos estão mais caros do que nunca. Ou seja, faz sentido analisar o Disney+ de forma mais ampla, como um serviço que fortalece os outros negócios da Disney.
Pelo menos para os pais, o Disney+ deve continuar aparecendo na fatura do cartão de crédito todo mês. E, com o avanço da migração dos esportes para o streaming, o ESPN+ pode eventualmente se tornar um dos grandes trunfos da Disney no mercado.