No último episódio de Ironheart, Riri (vivida por Dominique Thorne) faz o impensável: ela fecha um acordo com Mephisto, interpretado por Sacha Baron Cohen. Em troca de trazer sua melhor amiga Natalie (Lyric Ross) de volta à vida, Riri entrega parte de si mesma — literalmente. Enquanto abraça a amiga ressuscitada, vemos veias escuras subindo por seu braço, sinal claro da influência maligna do demônio.
É um momento sombrio e corajoso, que desafia as convenções típicas dos heróis da Marvel. Para Thorne, essa escolha é exatamente o que torna Riri tão interessante.
Uma heroína que não quer ser heroína
“Eu acho maravilhoso que a Riri não siga o caminho tradicional de heroína,” disse Dominique Thorne à Entertainment Weekly. “Ela já cruzou algumas linhas, e pensa: ‘vou lidar com as consequências depois’. Mas quais serão essas consequências? Ela vai resistir? Vai tentar fazer o certo ou vai se deixar levar?”
Thorne argumenta que esse momento é o ápice de uma trajetória coerente. Desde sua aparição em Wakanda Forever, Riri nunca buscou ser uma super-heroína. Pelo contrário: o chamado para o heroísmo é algo que ela enfrenta com hesitação, pensando em cada passo com cautela.
“Ela não está completamente comprometida com esse manto de super-heroína,” explica a atriz. “É algo que ela precisa entender com o tempo. Cada escolha a leva a descobrir quem ela realmente é — e, portanto, quem será a Ironheart.”
O futuro sombrio (e promissor) no MCU
A decisão de Riri abre portas importantes para o futuro do MCU. A introdução de Mephisto, um dos vilões mais icônicos dos quadrinhos da Marvel, é um indicativo claro de que Ironheart foi pensada como uma peça estratégica dentro do universo maior.
Chinaka Hodge, showrunner da série, confirma essa intenção: “Estamos preparando a Riri para fazer escolhas de mulher adulta no MCU. Nosso final serve como recompensa para quem acompanhou a série e, ao mesmo tempo, planta sementes para futuros desdobramentos — por mais sombrios que possam ser.”
A metáfora é clara: Riri está num ponto de virada. Ela é brilhante, poderosa, determinada, mas precisa decidir quem ela será em um universo onde o bem e o mal nem sempre estão bem definidos.
Ironheart além dos clichês
A série opta por explorar dilemas morais e emocionais mais profundos, afastando-se da fórmula maniqueísta típica de origem heroica. Ao final, o que vemos não é a ascensão definitiva de uma nova heroína, mas o início de um conflito interno — talvez irreversível.
A pergunta que ecoa ao longo do último episódio é a mesma que o público levará para o futuro da personagem: o que Riri Williams sacrificou — e será que valeu a pena?