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Ciência

Dormir demais pode estar prejudicando seu cérebro, segundo Harvard

Dormir sempre foi visto como sinônimo de saúde e descanso. Mas novas evidências indicam que passar muito tempo na cama pode trazer riscos inesperados. A ciência agora sugere que o excesso de sono pode comprometer a memória, a concentração e até aumentar a probabilidade de doenças crônicas.
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Tempo de leitura: 2 minutos

No Brasil, muita gente acredita que “compensar o sono perdido” no fim de semana ou dormir longas horas é inofensivo. No entanto, um estudo da Harvard Health traz um alerta importante: tanto a falta quanto o excesso de sono estão relacionados à queda no desempenho mental e a impactos negativos na saúde.

O estudo que mudou a visão sobre o sono

Pesquisadores da Harvard Health analisaram os hábitos de 1.853 adultos entre 27 e 85 anos, com média de 50 anos. O estudo, revisado por especialistas em neurociência e saúde mental, mostrou que pessoas que dormiam mais de nove horas por noite tiveram resultados piores em testes de memória, atenção e velocidade de raciocínio.

O mesmo foi observado em quem dormia menos de seis horas. O tempo de sono, mais do que outros fatores, apareceu como o maior indicador do desempenho cognitivo. Ou seja, tanto dormir pouco quanto dormir demais pode prejudicar a mente.

Por que dormir em excesso faz mal

Os cientistas levantam algumas hipóteses para explicar o fenômeno. Uma delas é a alteração do ritmo circadiano, que bagunça o metabolismo cerebral e gera sensação de confusão e lentidão durante o dia. Outra possível causa está ligada ao estilo de vida: quem passa muitas horas dormindo tende a ser mais sedentário e a ter menos contato social — dois fatores conhecidos por afetar a saúde mental.

Além disso, o excesso de sono foi associado a um maior risco de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, problemas cardíacos e até distúrbios de humor. Dormir muito, portanto, não significa descansar melhor.

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© Unsplash – Solving Healthcare

A medida certa para o bem-estar

De acordo com o estudo, o intervalo considerado ideal para a saúde cerebral está entre sete e oito horas de sono por noite. Pessoas que se mantiveram nessa faixa apresentaram melhor memória, mais clareza de pensamento e maior equilíbrio emocional.

Para os pesquisadores, o grande recado é que qualidade do sono não se mede pela quantidade exagerada de horas na cama. O segredo está no equilíbrio: dormir o suficiente para recuperar o corpo e a mente, mas sem exageros que podem trazer o efeito contrário.

O que isso significa para os brasileiros

No Brasil, onde o ritmo acelerado do dia a dia muitas vezes leva à privação de sono durante a semana, muitos recorrem a “maratonas de descanso” no sábado e domingo. Mas, segundo Harvard, essa prática pode não trazer os benefícios esperados e até prejudicar a performance cognitiva.

O estudo reforça a importância de criar hábitos consistentes de sono: dormir e acordar em horários regulares, evitar telas antes de deitar e manter uma rotina saudável. Mais do que dormir muito, o que faz diferença é dormir bem.

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