Em um mundo onde o estresse e os distúrbios do sono se tornam cada vez mais frequentes, muitas pessoas recorrem a soluções rápidas sem conhecer os riscos. O lorazepam, amplamente prescrito, parece uma saída eficaz para dormir melhor. Mas, segundo especialistas, essa escolha pode prejudicar seriamente o cérebro e o corpo — mesmo enquanto você dorme.
O sono enganoso provocado pelo lorazepam
Conhecido comercialmente como Orfidal, o lorazepam pertence ao grupo das benzodiazepinas, substâncias com efeito sedativo, ansiolítico e relaxante muscular. Apesar de sua aparente eficácia, a farmacêutica Uxoa Olaizola alerta que o uso prolongado compromete a qualidade real do sono.
O problema está na forma como o medicamento atua: ele inibe as fases N3 e REM do sono, responsáveis pela regeneração física e pelo processamento emocional e da memória. Ou seja, a pessoa pode dormir por horas, mas sem alcançar os ciclos mais profundos e restauradores.
A especialista compara o efeito ao de flutuar na superfície do mar, sem nunca mergulhar. O resultado é um descanso superficial, com consequências que se acumulam noite após noite.

Efeitos colaterais e riscos a longo prazo
O uso contínuo do lorazepam pode causar sonolência durante o dia, lapsos de memória, perda de coordenação motora e, em idosos, aumenta o risco de quedas. Mais grave ainda é o bloqueio crônico da fase REM, que já foi associado a problemas cognitivos e até ao desenvolvimento de doenças como o Alzheimer.
Mesmo com orientações médicas que recomendam o uso por no máximo duas a quatro semanas para insônia (e até doze semanas no caso de ansiedade), muitas pessoas acabam tomando por meses ou anos, sem entender os danos que estão se acumulando.
Outro alerta importante é o risco de tolerância e dependência: com o tempo, o corpo exige doses maiores para surtir o mesmo efeito. E ao tentar interromper o uso repentinamente, surgem sintomas intensos de abstinência, como ansiedade, irritabilidade e insônia ainda mais severa.
Quando o “remédio” vira armadilha
Apesar de parecer uma solução prática, o uso prolongado do lorazepam pode estar minando sua saúde silenciosamente. Dormir sob efeito do medicamento não significa descansar de fato. Segundo Olaizola, cada noite com sono incompleto “é como uma contagem regressiva invisível para o bem-estar mental”.
A conclusão é clara: o remédio pode ajudar em casos pontuais e bem acompanhados, mas jamais deve ser a resposta automática para quem busca dormir melhor. Repensar hábitos, buscar acompanhamento profissional e priorizar abordagens naturais pode ser o verdadeiro caminho para um sono que realmente restaura.