A dermatite atópica, ou eczema, é uma condição inflamatória da pele que afeta milhões de pessoas e exige monitoramento constante. Porém, nem sempre é fácil identificar a gravidade de um surto. Agora, uma nova tecnologia desenvolvida no Japão quer facilitar esse processo com um recurso acessível: a câmera do seu celular.
Um aliado inesperado no seu bolso
Pesquisadores da Universidade de Keio, em Tóquio, desenvolveram uma inteligência artificial capaz de analisar fotos da pele e determinar a gravidade das lesões causadas pelo eczema. A ferramenta foi treinada com mais de 57 mil imagens coletadas desde 2018 através do aplicativo japonês Atopiyo, usado por pacientes para acompanhar seus sintomas.
Além das fotos, os dados incluíam informações como coceira, impacto no sono e localização das lesões. Com esse conjunto robusto, a IA aprendeu a identificar sinais visuais como vermelhidão, inchaço e irritação por coçar — e obteve uma precisão impressionante.

Precisão que surpreende até os especialistas
Nos testes iniciais, o modelo detectou corretamente 98% das áreas afetadas no corpo e 100% das zonas visivelmente lesionadas. Essa precisão coloca o sistema como uma ferramenta promissora para pacientes e médicos, permitindo um acompanhamento remoto e constante da evolução da doença.
De acordo com o professor Takeya Adachi, envolvido no projeto, a IA pode ajudar tanto na autonomia dos pacientes quanto na otimização do tempo dos profissionais de saúde, oferecendo dados confiáveis entre uma consulta e outra.
Rumo a uma dermatologia mais acessível e personalizada
A equipe planeja expandir a base de dados para incluir diferentes tons de pele, faixas etárias e sintomas, o que tornará o sistema ainda mais eficaz e inclusivo. Além disso, a mesma tecnologia poderá futuramente ser adaptada para avaliar outras doenças dermatológicas.
Combinando facilidade de uso, acessibilidade e alta precisão, essa inovação tem potencial para transformar o acompanhamento clínico do eczema e, no futuro, de diversas outras condições. O cuidado com a pele pode estar a um clique — ou a uma selfie — de distância.