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Ciência

Eles prepararam café com água fria e ultrassom — e o resultado deixou todos intrigados

Pesquisadores encontraram uma forma inesperada de extrair café sem recorrer ao calor tradicional. O resultado surpreendeu consumidores em testes às cegas e pode transformar uma indústria bilionária.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Poucas bebidas despertam tanta paixão quanto um bom espresso. Durante décadas, especialistas consideraram que dois elementos eram indispensáveis para alcançar sua intensidade característica: água quente e pressão. Mas uma equipe de cientistas decidiu desafiar essa lógica. O resultado foi um experimento que não apenas reduziu drasticamente o consumo de energia, como também produziu uma bebida que a maioria das pessoas não conseguiu diferenciar de um espresso convencional.

Uma ideia que desafia tudo o que sabemos sobre o espresso

Preparar um espresso sempre exigiu aquecer água a altas temperaturas e forçá-la através do café moído sob pressão. Esse processo é responsável por boa parte do consumo energético das máquinas utilizadas em cafeterias, escritórios e residências ao redor do mundo.

Foi justamente essa dependência do calor que chamou a atenção de pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália. Em vez de buscar formas mais eficientes de aquecer a água, eles decidiram eliminar essa etapa quase por completo.

A solução encontrada foi utilizar ultrassons para realizar o trabalho normalmente atribuído à temperatura elevada. O sistema transforma um filtro de café convencional em uma espécie de reator ultrassônico, capaz de extrair compostos aromáticos, óleos e cafeína usando água em temperatura ambiente.

O coração da tecnologia é um transdutor metálico que gera vibrações ultrassônicas de alta frequência. Quando essas ondas atravessam a água, ocorre um fenômeno conhecido como cavitação acústica. Pequenas bolhas microscópicas surgem e colapsam rapidamente, criando microimpactos que rompem as partículas do café moído.

Esse processo aumenta significativamente a superfície de contato entre a água e o café, acelerando a extração dos compostos responsáveis pelo sabor e aroma da bebida.

Segundo os pesquisadores, sem a aplicação dos ultrassons, não foi possível alcançar a mesma intensidade típica de um espresso utilizando água fria nas mesmas condições.

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© Zarak Khan – Unsplash

O teste que colocou a tecnologia à prova

Criar um método inovador é uma coisa. Convencer consumidores de que o resultado é comparável ao espresso tradicional é outra completamente diferente.

Por isso, os cientistas realizaram uma série de testes para encontrar a combinação ideal entre moagem, proporção de água, potência ultrassônica e tempo de preparo. Após diversos ajustes, descobriram que o melhor resultado era obtido em um intervalo de aproximadamente dois minutos e meio a três minutos.

As análises laboratoriais mostraram que a bebida alcançava níveis de sólidos dissolvidos e eficiência de extração compatíveis com os padrões reconhecidos pela indústria de cafés especiais. Além disso, parâmetros como cor, pH, teor de cafeína e perfil aromático apresentaram resultados muito próximos aos do espresso convencional.

Mas o verdadeiro desafio veio depois.

Cerca de 100 consumidores habituais de café participaram de degustações às cegas. As bebidas foram servidas em recipientes idênticos, sem qualquer identificação, e apresentadas em ordem aleatória.

O resultado surpreendeu até os próprios pesquisadores: a maioria dos participantes não conseguiu diferenciar com segurança o espresso produzido por ultrassons daquele preparado por uma máquina tradicional.

No caso das versões filtradas, a tecnologia recebeu avaliações ainda mais positivas. Muitos participantes consideraram a bebida produzida por ultrassons mais agradável, especialmente devido ao amargor mais equilibrado.

Uma tecnologia que pode mudar muito mais do que a forma de preparar café

O aspecto mais impressionante do estudo talvez não esteja no sabor, mas no consumo energético.

Os testes indicaram que o sistema ultrassônico utilizou apenas 24,3% da energia necessária para produzir uma bebida equivalente em intensidade ao espresso tradicional. Na prática, isso representa uma redução próxima de 75% no gasto energético.

Embora a ideia de uma cafeteira doméstica baseada em ultrassons seja atraente, os pesquisadores acreditam que o maior potencial está na produção industrial. Empresas que fabricam bebidas prontas à base de café poderiam reduzir custos operacionais, aumentar a eficiência e diminuir o impacto ambiental de suas operações.

Além disso, o concentrado obtido pelo método pode ser utilizado diretamente ou servir como base para bebidas geladas, cafés com leite e diversos outros produtos.

O estudo mostra que uma tecnologia aparentemente distante do universo gastronômico pode redefinir processos considerados imutáveis há décadas. E, se os resultados continuarem confirmando seu potencial, o futuro do espresso poderá ser muito diferente do que imaginamos hoje.

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