Voos panorâmicos costumam ser uma das principais atrações para quem deseja observar paisagens únicas de um ponto de vista privilegiado. No entanto, uma viagem que deveria proporcionar uma experiência inesquecível terminou de forma trágica e colocou novamente em evidência os desafios da segurança na aviação turística. Enquanto as autoridades trabalham para esclarecer o ocorrido, familiares das vítimas aguardam respostas sobre o que provocou o acidente.
O acidente aconteceu poucos minutos após o início do passeio
O acidente ocorreu no dia 1º de agosto, por volta das 13h, no horário local, nas proximidades da cidade de Nazca, no sul do Peru. A aeronave, pertencente à empresa Aerodiana, realizava um voo turístico quando caiu a cerca de dois quilômetros do aeroporto de Nazca, após decolar da região de Pisco, no departamento de Ica.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério dos Transportes e Comunicações do Peru, o avião era um Cessna Grand Caravan C-208, modelo utilizado com frequência em voos turísticos por possuir capacidade para transportar até 12 passageiros.
Durante o trajeto, a tripulação comunicou uma situação de emergência à torre de controle quando sobrevoava a localidade de Socos. Pouco depois, o contato com a aeronave foi perdido.
Equipes da Direção Geral de Aeronáutica Civil (DGAC), bombeiros aeroportuários e agentes da Polícia Nacional foram mobilizados imediatamente para a área da ocorrência. No entanto, ao chegarem ao local da queda, confirmaram que não havia sobreviventes.
Entre as vítimas estavam onze turistas europeus, originários da Espanha, Itália e Alemanha, além dos dois tripulantes peruanos responsáveis pela operação do voo.
As causas do acidente ainda não foram esclarecidas. As autoridades peruanas iniciaram os protocolos oficiais de investigação para determinar o que provocou a queda da aeronave e se houve falha mecânica, erro operacional, influência das condições climáticas ou qualquer outro fator envolvido.
Investigação avança enquanto o acidente reacende preocupações sobre os voos turísticos
Após a tragédia, a Aerodiana divulgou uma nota lamentando profundamente o ocorrido. A empresa destacou que atua há 18 anos no setor de aviação turística e afirmou manter compromisso permanente com a segurança de passageiros e tripulações. Também informou que está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação.
Embora ainda não exista qualquer relação confirmada entre o clima e o acidente, a região de Ica havia registrado, no dia anterior, fortes ventos conhecidos como Paracas. De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia do Peru (Senamhi), as rajadas chegaram a aproximadamente 50 km/h na cidade de Pisco.
O acidente também trouxe novamente à discussão a segurança dos voos realizados sobre as famosas Linhas de Nazca, conjunto de enormes geóglifos desenhados no deserto peruano e reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1994. Todos os anos, milhares de turistas embarcam em pequenas aeronaves para observar essas figuras gigantescas do alto, uma das experiências mais procuradas pelos visitantes da região.
Infelizmente, esta não é a primeira tragédia envolvendo esse tipo de operação. Em 2022, outro acidente semelhante provocou a morte de sete pessoas, entre elas turistas estrangeiros. Já em 2010, a queda de outra aeronave durante um voo turístico deixou seis vítimas fatais.
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, manifestou pesar pelas mortes e informou que o governo acompanha de perto as investigações. Segundo ela, o Ministério dos Transportes coordena os trabalhos técnicos, enquanto o Ministério das Relações Exteriores presta assistência aos consulados dos países de origem das vítimas.
Além disso, o governo avalia a possibilidade de suspender temporariamente as operações do aeroporto utilizado pela aeronave até que sejam concluídas as primeiras etapas da investigação. Paralelamente, o Ministério Público iniciou os procedimentos para identificação das vítimas e posterior liberação dos corpos às famílias.
Enquanto especialistas analisam destroços, registros de voo e comunicações da tripulação, permanece sem resposta a principal pergunta: o que provocou a queda de uma aeronave que realizava uma das rotas turísticas mais conhecidas do Peru?