O acordo que pode mudar o futuro da Tesla (e de Musk)
O pacote, considerado o maior da história corporativa, foi aprovado com 75% dos votos durante a assembleia anual da Tesla, em Austin (EUA). Após o anúncio, Musk subiu ao palco entre aplausos, dançou e declarou:
“O que estamos prestes a iniciar não é apenas um novo capítulo da Tesla, mas um livro completamente novo.”
O plano prevê que o CEO receba centenas de milhões de novas ações caso consiga aumentar o valor de mercado da empresa de US$ 1,4 trilhão para US$ 8,5 trilhões — uma meta quase impossível, mas não inédita para quem já transformou uma montadora elétrica em um império global de tecnologia.
Entre os objetivos estão a criação de um milhão de robotáxis autônomos em operação comercial e avanços significativos na inteligência artificial aplicada à condução e automação industrial.

O império da Tesla e o foco de Musk
Apesar do entusiasmo dos investidores, parte do mercado esperava que Musk focasse em revitalizar o setor de veículos elétricos da Tesla, que enfrenta queda nas vendas desde 2024.
Mas o bilionário preferiu falar sobre o robô humanoide Optimus, projeto que ele descreve como “o futuro da força de trabalho automatizada”.
Mais tarde, voltou a mencionar o FSD (Full Self-Driving), sistema de direção autônoma da Tesla, dizendo que a empresa está “quase confortável” em permitir que motoristas enviem mensagens de texto enquanto dirigem.
A declaração chamou atenção — e preocupação — já que o sistema está sob investigação nos EUA após uma série de acidentes envolvendo carros da Tesla, incluindo casos de veículos passando em sinais vermelhos e trafegando na contramão.
Críticas, votos e polêmicas
O novo pacote de remuneração foi rejeitado por grandes investidores institucionais, como o fundo soberano da Noruega e o sistema de aposentadoria dos servidores da Califórnia (CalPERS). Ambos criticaram a falta de equilíbrio entre risco e recompensa e o poder excessivo concentrado em Musk.
Mesmo assim, o empresário contou com o apoio da enorme base de investidores individuais da Tesla, que costuma tratá-lo quase como uma celebridade. Ele e o irmão Kimbal Musk, que faz parte do conselho, também votaram a favor do acordo.
O plano substitui um pacote anterior — avaliado em dezenas de bilhões — que foi anulado por um juiz de Delaware por considerar que o conselho da Tesla era “muito próximo de Musk”. A decisão ainda está sendo revisada pela Suprema Corte de Delaware, mas a empresa decidiu criar um novo acordo para evitar mais impasses judiciais.
IA, valorização e poder concentrado
O analista Dan Ives, da consultoria Wedbush Securities, defendeu a decisão e chamou Musk de “o maior ativo da Tesla”. Segundo ele, o foco em inteligência artificial pode impulsionar o valor da empresa em até 9 meses, caso as metas com o FSD e o robô Optimus avancem como prometido.
Ainda assim, especialistas em governança corporativa alertam que o pacote cria uma dependência perigosa da Tesla em relação ao seu fundador — uma empresa que, na prática, gira em torno de uma única figura.
Um passo do trilhão
Com 13% das ações da Tesla e fortuna estimada em US$ 230 bilhões, Musk já é o homem mais rico do mundo. Se atingir os novos objetivos, poderá acumular uma remuneração histórica e se tornar o primeiro trilionário do planeta — um feito que uniria status, tecnologia e ego em escala nunca vista.
Entre robôs, carros autônomos e planos de colonizar Marte, Elon Musk segue ampliando seu império e seu legado. A dúvida é se o mundo — e o mercado — estão prontos para um trilhão de dólares sob o comando de um único homem.
[Fonte: Correio Braziliense]