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Entenda como funciona o conclave que escolherá o novo papa

O Vaticano anunciou nesta segunda-feira a todos os seus residentes e funcionários que “desativará todas as instalações de transmissão de sinal de telecomunicações celulares e de rádio”.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O conclave que escolherá o sucessor do papa Francisco começa nesta quarta-feira, dia 7. O Vaticano está finalizando os preparativos para garantir que tudo ocorra conforme o protocolo. Isso inclui um “apagão” na cobertura de telefonia móvel em todo o território vaticano, com o objetivo de blindar o conclave e impedir qualquer vazamento de informações da Capela Sistina.

A Governadoria do Estado da Cidade do Vaticano informou oficialmente que “desativará todas as instalações de transmissão de sinal de telecomunicações celulares e de rádio”. Essa interrupção afetará toda a área da Cidade do Vaticano — 0,4 quilômetros quadrados no centro de Roma — e terá início às 15h, horário local (13h GMT), do dia 7 de maio.

O juramento de sigilo absoluto

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© https://x.com/CardinalDolan/

Todo o pessoal envolvido no conclave, tanto eclesiástico quanto leigo — desde cerimoniários até operadores de elevadores — prestou na tarde de segunda-feira um juramento de sigilo absoluto sobre tudo o que ocorrer durante o processo. Todas as pessoas aprovadas pelo cardeal camerlengo e pelos três cardeais assistentes, conforme determina a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, assinaram o juramento às 17h (15h GMT), na Capela Paulina.

O texto do juramento declara:
“Prometo e juro guardar absoluto segredo com qualquer pessoa que não faça parte do colégio de cardeais eleitores, e isso por toda a vida, a menos que receba permissão expressa do novo pontífice eleito ou de seus sucessores, principalmente sobre tudo o que se refere direta ou indiretamente à votação e ao escrutínio da eleição do Sumo Pontífice.”

O texto continua:
“Prometo e juro também abster-me de utilizar qualquer meio de gravação, audição ou visualização de qualquer acontecimento ocorrido na Cidade do Vaticano durante o período eleitoral e, especialmente, de qualquer coisa relacionada direta ou indiretamente com as operações do conclave.”

Os cardeais eleitores farão seu próprio juramento na tarde do dia 7 de maio, após entrarem na Capela Sistina. Depois que o último cardeal prestar juramento, o mestre das celebrações papais, Diego Ravelli, pronunciará as palavras que formalizam o início do conclave: Extra omnes — todos fora — e a porta será trancada.

Como funciona a votação?

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© https://x.com/cspan/

Para que um novo papa seja eleito, é necessária uma maioria qualificada de dois terços dos votos — ou seja, 89 votos entre os 133 cardeais eleitores. Após cada votação, os auditores conferem todas as cédulas e anotações dos escrutinadores para garantir a exatidão do processo.

Em seguida, antes de deixarem a Capela Sistina, todas as cédulas são queimadas pelos escrutinadores, com a ajuda do secretário do colégio e do mestre de cerimônias, convocado pelo último cardeal diácono. Caso haja uma segunda votação imediata, as cédulas só serão queimadas após essa nova rodada, conforme indicado pelo Vatican News.

Serão realizadas quatro votações por dia: duas pela manhã e duas à tarde. Se após três dias não houver consenso, as votações serão suspensas por até um dia, com pausa para oração, conversas livres entre os cardeais e uma breve exortação espiritual, feita pelo cardeal decano da ordem dos diáconos.

Se mesmo após sete votações não houver definição, realiza-se outra pausa, com nova exortação do cardeal da ordem dos presbíteros. Caso ainda não se chegue a um nome, outra pausa será comandada pelo cardeal da ordem dos bispos. Após isso, realiza-se mais sete votações.

Se ainda assim não houver resultado, reserva-se um novo dia para oração e reflexão, e a votação seguinte será entre os dois nomes mais votados da rodada anterior. Nessa etapa, continua sendo necessária uma maioria de dois terços, mas os dois candidatos finalistas não podem votar.

Fumaça branca ou preta

Os três escrutinadores se sentam diante do altar. O primeiro abre a cédula e anota o nome do candidato. O segundo confirma o nome, e o terceiro lê em voz alta para que todos marquem seus votos em uma folha especial.

Se forem encontradas duas cédulas dobradas de forma a parecerem de um mesmo votante, e ambas tiverem o mesmo nome, contará como um único voto. Se tiverem nomes diferentes, ambas serão anuladas, mas o voto do cardeal não será invalidado.

Após a contagem, os escrutinadores somam os votos e os registram em uma folha separada. O último dos escrutinadores perfura as cédulas com uma agulha no ponto onde está escrita a palavra Eligo e as enfia em um fio, amarrando as pontas ao final.

As cédulas são então colocadas em um recipiente ao lado da cantina. Em seguida, os votos são confirmados e queimados em um forno de ferro fundido, usado pela primeira vez no conclave de 1939. Um segundo forno, instalado em 2005, é usado com produtos químicos para gerar a fumaça preta (se não houver papa eleito) ou branca (em caso de eleição).

[Fonte: Público]

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