Pular para o conteúdo
Mundo

Entre tarifas e tensões: bastidores da reunião do G7 com Trump na mira

Entre as montanhas do Canadá, os líderes das maiores economias do mundo caminham em silêncio para evitar choques com Donald Trump. Tarifas elevadas, guerras mal resolvidas e incertezas sobre o papel dos EUA no cenário internacional tornam esta cúpula do G7 um teste de paciência e diplomacia. Entenda o que está em jogo.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

O G7, grupo que reúne algumas das nações mais influentes do planeta, voltou a se encontrar em solo canadense sob uma tensão quase palpável. Com um Donald Trump cada vez mais imprevisível e uma lista de conflitos abertos pelo mundo, os chefes de Estado se esforçam para manter as aparências de unidade, mas sabem que qualquer palavra fora do tom pode virar crise. A seguir, os bastidores desta cúpula conturbada.

Um equilíbrio frágil na relação com Trump

Reunir Trump, líderes europeus e outros parceiros nunca foi tarefa fácil. Desde sua última passagem pelo G7 no Canadá, em 2018 — quando uma foto sua enfrentando Angela Merkel viralizou como símbolo de discórdia — pouco mudou. Agora, Trump volta a insistir em tarifas agressivas, na expansão de combustíveis fósseis e na redução da presença militar dos EUA na Europa. Dessa vez, nem sequer se espera uma declaração conjunta ao fim da reunião, tamanha a falta de alinhamento.

Enquanto isso, o governo americano evita revelar metas claras para o encontro, deixando as conversas bilaterais — como com Mark Carney, Claudia Sheinbaum e Volodymyr Zelenskyy — carregarem o verdadeiro peso político. Nomes como o premiê britânico Keir Starmer tentam manter o diálogo calmo para não gerar polêmicas, mas todos sabem: a coesão do G7 nunca foi tão frágil.

Reunião Do G7 (2)
© Mark Schiefelbein

Tarifas altas e guerras que tiram o foco

As novas tarifas dos EUA — 25% sobre aço, alumínio e automóveis, e 10% sobre várias outras importações — atingiram diretamente parceiros importantes como Japão, México e o próprio Canadá. Trump justifica essas medidas como proteção de empregos e resposta a problemas como o tráfico de fentanil, mas aliados questionam a coerência e temem impactos econômicos severos.

Ao mesmo tempo, conflitos como a guerra entre Israel e Irã, a invasão russa na Ucrânia e a disputa com a China pelo controle das cadeias produtivas ficam em segundo plano, ofuscados pelo nervosismo que Washington causa entre seus aliados. A ameaça de Trump de abandonar fóruns como o G20 ou de romper compromissos multilaterais ronda a cúpula e gera incertezas sobre o futuro do equilíbrio global.

Um G7 silencioso e cheio de dúvidas

Sem grandes anúncios previstos, o G7 de 2025 caminha para ser mais um exercício de contenção de danos do que de decisões concretas. Para os países aliados, o desafio é resistir às pressões de Trump sem escalar atritos desnecessários. Enquanto isso, o mundo observa, ciente de que a influência de cada nação pode mudar a qualquer tweet.

Neste tabuleiro geopolítico cada vez mais incerto, resta saber por quanto tempo ainda será possível conter a tensão que cresce nos bastidores desta reunião que, mesmo silenciosa, diz muito sobre o rumo do planeta.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados