O G7, grupo que reúne algumas das nações mais influentes do planeta, voltou a se encontrar em solo canadense sob uma tensão quase palpável. Com um Donald Trump cada vez mais imprevisível e uma lista de conflitos abertos pelo mundo, os chefes de Estado se esforçam para manter as aparências de unidade, mas sabem que qualquer palavra fora do tom pode virar crise. A seguir, os bastidores desta cúpula conturbada.
Um equilíbrio frágil na relação com Trump
Reunir Trump, líderes europeus e outros parceiros nunca foi tarefa fácil. Desde sua última passagem pelo G7 no Canadá, em 2018 — quando uma foto sua enfrentando Angela Merkel viralizou como símbolo de discórdia — pouco mudou. Agora, Trump volta a insistir em tarifas agressivas, na expansão de combustíveis fósseis e na redução da presença militar dos EUA na Europa. Dessa vez, nem sequer se espera uma declaração conjunta ao fim da reunião, tamanha a falta de alinhamento.
Enquanto isso, o governo americano evita revelar metas claras para o encontro, deixando as conversas bilaterais — como com Mark Carney, Claudia Sheinbaum e Volodymyr Zelenskyy — carregarem o verdadeiro peso político. Nomes como o premiê britânico Keir Starmer tentam manter o diálogo calmo para não gerar polêmicas, mas todos sabem: a coesão do G7 nunca foi tão frágil.

Tarifas altas e guerras que tiram o foco
As novas tarifas dos EUA — 25% sobre aço, alumínio e automóveis, e 10% sobre várias outras importações — atingiram diretamente parceiros importantes como Japão, México e o próprio Canadá. Trump justifica essas medidas como proteção de empregos e resposta a problemas como o tráfico de fentanil, mas aliados questionam a coerência e temem impactos econômicos severos.
Ao mesmo tempo, conflitos como a guerra entre Israel e Irã, a invasão russa na Ucrânia e a disputa com a China pelo controle das cadeias produtivas ficam em segundo plano, ofuscados pelo nervosismo que Washington causa entre seus aliados. A ameaça de Trump de abandonar fóruns como o G20 ou de romper compromissos multilaterais ronda a cúpula e gera incertezas sobre o futuro do equilíbrio global.
Um G7 silencioso e cheio de dúvidas
Sem grandes anúncios previstos, o G7 de 2025 caminha para ser mais um exercício de contenção de danos do que de decisões concretas. Para os países aliados, o desafio é resistir às pressões de Trump sem escalar atritos desnecessários. Enquanto isso, o mundo observa, ciente de que a influência de cada nação pode mudar a qualquer tweet.
Neste tabuleiro geopolítico cada vez mais incerto, resta saber por quanto tempo ainda será possível conter a tensão que cresce nos bastidores desta reunião que, mesmo silenciosa, diz muito sobre o rumo do planeta.