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Tecnologia

Espanha aposta em tecnologia inédita para gerar eletricidade aproveitando até o reflexo da água

Uma nova plataforma flutuante promete transformar a forma como a energia solar é produzida. A tecnologia será testada por dois anos e pode abrir um novo caminho para as renováveis.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, a energia solar esteve quase sempre associada a telhados, grandes fazendas fotovoltaicas e áreas desérticas. Agora, uma iniciativa europeia quer provar que o mar também pode se tornar um aliado na geração de eletricidade. O projeto aposta em uma estrutura flutuante capaz de enfrentar ondas, ventos e água salgada enquanto busca extrair ainda mais eficiência dos painéis solares graças a um fenômeno pouco explorado.

A nova plataforma quer provar que o oceano também pode gerar energia solar

A Espanha iniciou os testes de sua primeira plataforma solar marítima em escala pré-comercial, um projeto que pode marcar uma nova etapa para a geração de energia renovável no país.

Batizada de Paiporta, a estrutura foi instalada no Porto de Valência e permanecerá em operação durante os próximos dois anos. O objetivo é avaliar seu desempenho em condições reais antes que a tecnologia possa ser utilizada em projetos de maior escala.

A iniciativa foi desenvolvida pela startup espanhola BlueNewables, com apoio da Naturgy, e busca demonstrar que o ambiente marinho pode complementar a produção de energia limpa, ampliando as possibilidades da energia fotovoltaica além das instalações em terra.

Levar painéis solares para o mar, porém, está longe de ser uma tarefa simples. Diferentemente de uma usina convencional, uma plataforma marítima precisa suportar ondas constantes, ventos intensos, salinidade elevada e um ambiente altamente corrosivo.

Para enfrentar esses desafios, os engenheiros desenvolveram uma estrutura inspirada no formato de um catamarã. O desenho mantém os painéis elevados acima da superfície da água, aumentando a estabilidade da plataforma, facilitando o acesso para manutenção e reduzindo os efeitos provocados pelas condições extremas do oceano.

A estrutura foi construída nos estaleiros San Enrique, na cidade de Vigo, antes de ser transportada para Valência, onde ficará ancorada durante toda a campanha experimental.

Nesta primeira fase, a plataforma possui capacidade instalada de 500 quilowatts. A expectativa é que uma segunda unidade seja adicionada ainda este ano, elevando a potência conjunta para aproximadamente 1 megawatt.

Embora represente um marco importante, o projeto ainda não corresponde a uma usina comercial. Em 2023, uma versão menor já havia sido testada no mesmo porto. A nova plataforma representa o passo seguinte rumo à validação da tecnologia em escala muito mais próxima da realidade operacional.

Um detalhe pouco conhecido pode aumentar a eficiência dos painéis

Um dos aspectos mais interessantes do projeto está na forma como os painéis aproveitam a luz.

Além da radiação solar direta, a plataforma também utiliza parte da luminosidade refletida pela superfície do mar. Esse fenômeno, conhecido como albedo, faz com que uma parcela da luz seja refletida pela água e alcance novamente os módulos fotovoltaicos, contribuindo para um pequeno aumento na produção de eletricidade em determinadas condições.

Embora o ganho não seja gigantesco, ele pode representar uma vantagem importante quando combinado com áreas oceânicas de grande extensão, onde há espaço para instalar sistemas sem competir por terrenos disponíveis em terra.

Durante os próximos dois anos, os pesquisadores irão monitorar diversos fatores além da geração de energia. Serão avaliados o comportamento estrutural da plataforma, a resistência dos materiais à corrosão, os custos de manutenção, o impacto das condições climáticas e a durabilidade dos equipamentos em ambiente marítimo.

Os dados obtidos serão fundamentais para determinar se esse tipo de instalação pode ser expandido para outras regiões costeiras.

O projeto integra o programa Renmarinas Valenciaport e recebeu financiamento do Instituto para a Diversificação e Economia de Energia (IDAE), com recursos provenientes do programa europeu NextGeneration EU.

A iniciativa também chega em um momento estratégico para a Espanha. Desde 2024, o país conta com um novo marco regulatório voltado especificamente para energias renováveis marinhas, criando regras para autorizar e incentivar projetos desse tipo.

Se os resultados confirmarem as expectativas, a plataforma Paiporta poderá representar muito mais do que um experimento tecnológico. Ela poderá abrir caminho para uma nova geração de usinas solares instaladas no mar, complementando a energia eólica offshore e ampliando a capacidade de produção de eletricidade limpa em áreas costeiras.

Em um cenário de crescente demanda por fontes renováveis, transformar o oceano em um espaço para geração solar pode ser uma das próximas grandes evoluções da transição energética.

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