Em um momento de instabilidade no mercado internacional de energia, o Brasil decidiu ampliar a participação do etanol na gasolina. A medida foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e entra em vigor após a publicação no Diário Oficial da União. Segundo o governo, a mudança busca fortalecer a produção nacional de biocombustíveis, reduzir a necessidade de importações e minimizar os impactos provocados pela alta do petróleo causada pelos conflitos no Oriente Médio.
O que muda com a nova mistura de etanol?
Com a decisão, toda gasolina vendida nos postos brasileiros passará a conter 32% de etanol anidro.
Para os consumidores, a mudança acontece automaticamente, já que a mistura é realizada pelas distribuidoras antes de o combustível chegar aos postos.
A resolução terá validade inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada uma única vez por igual período.
O CNPE, responsável pela aprovação da medida, é presidido pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e reúne representantes de diversos ministérios envolvidos na formulação da política energética do país.
Governo quer reduzir a dependência da gasolina importada

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o aumento da mistura faz parte de uma estratégia para reduzir a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional de petróleo.
Atualmente, cerca de 15% da gasolina consumida no país é importada.
Ao elevar a participação do etanol produzido internamente, o consumo de gasolina pura diminui, reduzindo também a necessidade de compras no exterior.
Estimativas do governo indicam que a medida poderá evitar a importação de aproximadamente 450 milhões de litros de gasolina.
Na avaliação do ministro Alexandre Silveira, o aumento da mistura poderá levar o Brasil à autossuficiência no abastecimento desse combustível.
Testes indicam que mudança não afeta o desempenho dos veículos
O aumento da proporção de etanol já havia sido anunciado anteriormente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas dependia da aprovação formal do CNPE.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a decisão foi baseada em testes técnicos que não identificaram impactos relevantes no desempenho dos veículos.
De acordo com a pasta, os resultados foram positivos tanto para automóveis flex quanto para modelos equipados com motores exclusivamente a gasolina.
Mistura pode aumentar para 35% no futuro

O governo brasileiro já estuda uma nova ampliação da mistura obrigatória.
Atualmente, o Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro realiza avaliações sobre a viabilidade da gasolina E35, composta por 35% de etanol.
Os estudos analisam fatores como durabilidade dos componentes mecânicos, desempenho dos motores e efeitos do uso prolongado desse combustível.
Caso os resultados confirmem a segurança da nova composição, o percentual poderá ser elevado novamente nos próximos anos.
Etanol ganha importância na matriz energética brasileira
Além de reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, o governo considera que a ampliação do uso do etanol fortalece a matriz energética nacional.
Produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar, o biocombustível ocupa posição estratégica na política energética brasileira por contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa e estimular a produção agrícola do país.
Em um cenário de incertezas no mercado internacional de petróleo, a aposta no etanol também busca aumentar a segurança energética do Brasil, reduzindo a vulnerabilidade a crises externas e à volatilidade dos preços do barril no mercado global.
[ Fonte: Clarín ]