Apagar um incêndio sem utilizar água, espuma ou produtos químicos parece uma ideia de ficção científica. Entretanto, uma estudante mexicana de apenas 17 anos demonstrou que ondas sonoras podem extinguir pequenas chamas. A invenção, chamada Vortex Tech, conquistou uma medalha de ouro em uma feira internacional de ciência realizada na Indonésia, despertando interesse por uma tecnologia que ainda está em fase experimental.
Como funciona o extintor que utiliza ondas sonoras?
O dispositivo foi desenvolvido por Ángela Karime Venegas Hernández, estudante de eletrônica do Centro de Estudos Tecnológicos Industriais e de Serviços (CETis) 78, localizado em Altamira, no estado mexicano de Tamaulipas.
Diferentemente dos extintores convencionais, o Vortex Tech utiliza vibrações acústicas para interferir nas condições que mantêm uma chama acesa.
O equipamento possui uma bateria de 12 volts, um gerador de frequências, um amplificador, um alto-falante e uma estrutura que direciona as ondas sonoras.
Seu funcionamento depende de frequências próximas de 30 hertz, consideradas baixas e capazes de provocar oscilações no ar.
Essas vibrações produzem pequenos movimentos turbulentos, conhecidos como vórtices, que perturbam a região onde ocorre a combustão.
Ao atingir a base da chama, o fluxo de ar pode desestabilizar o fogo e interromper sua continuidade.
A tecnologia foi detalhada em uma reportagem do El País México, que entrevistou a jovem inventora.
Ideia surgiu após assistir a um experimento científico
A inspiração veio de um vídeo sobre um equipamento experimental desenvolvido pela agência norte-americana DARPA.
O projeto utilizava um grande canhão acústico para demonstrar que ondas sonoras poderiam apagar pequenas chamas.
Ángela decidiu investigar se seria possível reproduzir o princípio em um aparelho mais compacto.
Com a orientação de seu tio e professor José Arturo Hernández Muñoz, ela iniciou uma série de experimentos.
O primeiro protótipo levou aproximadamente dois meses para conseguir extinguir uma pequena chama, ainda com dificuldades.
Ao longo de cerca de um ano, a dupla aperfeiçoou o equipamento até chegar à quinta versão, que apresentou resultados mais consistentes.
Segundo o jornal El Economista, o dispositivo já conseguiu apagar pequenas chamas a aproximadamente dois metros de distância, embora essa capacidade ainda precise de validação independente.
Invenção conquistou medalha de ouro na Indonésia
O projeto ganhou destaque internacional durante a Feira Internacional de Ciência e Invenções (ISIF 2026), realizada entre 14 e 16 de outubro, na Indonésia.
A competição reuniu estudantes e projetos científicos de diferentes países.
Ángela conquistou uma medalha de ouro com o Vortex Tech, depois de apresentar a tecnologia e demonstrar seu potencial.
Antes da competição internacional, a jovem já havia participado de concursos científicos regionais e nacionais no México.
O reconhecimento também chamou a atenção de autoridades mexicanas e instituições ligadas à educação e à inovação tecnológica.
A trajetória da estudante foi apresentada pela emissora N+ México, que destacou o desenvolvimento do protótipo e sua premiação.
O som poderá substituir os extintores tradicionais?
Apesar do resultado promissor, o Vortex Tech ainda não está pronto para substituir equipamentos convencionais de combate a incêndios.
Os testes divulgados envolvem principalmente pequenas chamas controladas. Não há demonstração de que o dispositivo consiga combater incêndios estruturais, queimadas ou situações de grande intensidade.
Também será necessário avaliar sua eficiência em diferentes condições ambientais, materiais combustíveis e distâncias.
Uma vantagem potencial é a possibilidade de apagar determinadas chamas sem espalhar água ou resíduos químicos, característica que poderia ser útil em ambientes com equipamentos sensíveis.
Entretanto, aplicações práticas dependerão de testes rigorosos, certificações e comprovação de segurança.
O principal avanço está na demonstração de que o som pode ser utilizado como ferramenta para interferir na combustão.
A invenção mexicana mostra como um princípio físico conhecido pode inspirar soluções tecnológicas inovadoras, mesmo quando desenvolvido inicialmente em um laboratório escolar.