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Ciência

Telescópio criado para estudar o universo distante descobre cometa desconhecido a 1,3 bilhão de quilômetros da Terra

O telescópio espacial Euclid, projetado para investigar matéria e energia escuras, identificou por acaso um cometa desconhecido. A descoberta pode ajudar futuras missões espaciais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma missão espacial criada para investigar os maiores mistérios do universo acabou fazendo uma descoberta inesperada muito mais perto da Terra. O telescópio Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA), identificou um cometa até então desconhecido enquanto observava galáxias distantes. O objeto estava a aproximadamente 1,3 bilhão de quilômetros do nosso planeta e segue uma trajetória incomum pelo Sistema Solar.

Como o Euclid encontrou um cometa que ninguém conhecia?

Telescópio criado para estudar o universo distante descobre cometa desconhecido a 1,3 bilhão de quilômetros da Terra
© Pexels

O telescópio espacial Euclid foi lançado em 2023 com uma missão ambiciosa: investigar a distribuição de bilhões de galáxias para compreender melhor a matéria escura e a energia escura.

Entretanto, durante observações realizadas entre 16 e 24 de setembro de 2026, seus instrumentos registraram algo inesperado.

O pesquisador Mikko Pöntinen, da Universidade de Helsinque, na Finlândia, utilizava um programa desenvolvido para identificar objetos em movimento nas imagens do telescópio.

O software encontrou uma pequena faixa luminosa que aparecia em diferentes fotografias.

Ao examinar os registros, os cientistas perceberam que o objeto estava cercado por uma nuvem difusa de gás e poeira, característica de um cometa ativo.

A equipe comparou as observações com os catálogos astronômicos disponíveis, mas não encontrou correspondências.

O resultado foi comunicado ao Centro de Planetas Menores, vinculado à União Astronômica Internacional, que confirmou a descoberta em 8 de outubro.

O objeto recebeu a designação oficial C/2026 S1 (Euclid), conforme anunciado pela Agência Espacial Europeia em 19 de outubro.

Um visitante que pode levar milhares de anos para completar sua órbita

O novo cometa estava aproximadamente a 1,3 bilhão de quilômetros da Terra quando foi observado.

Para compreender essa distância, basta considerar que ela é comparável à separação entre o Sol e uma região situada entre as órbitas de Júpiter e Saturno.

Mas o aspecto mais intrigante não é sua distância.

Diferentemente dos planetas, que orbitam aproximadamente no mesmo plano, o C/2026 S1 apresenta uma trajetória extremamente inclinada.

Segundo os cálculos preliminares, o objeto pode levar milhares de anos para completar uma volta ao redor do Sol.

Algumas estimativas iniciais sugerem um período de aproximadamente 345 mil anos, embora esse número ainda dependa de novas observações.

Os pesquisadores consideram possível que o cometa tenha origem em regiões distantes do Sistema Solar, onde permanecem corpos gelados formados há bilhões de anos.

Esses objetos funcionam como registros naturais das condições existentes durante a formação dos planetas.

Por que a descoberta surpreendeu os astrônomos?

O Euclid não foi projetado para procurar cometas.

Sua estratégia consiste em observar regiões específicas do céu, registrar imagens detalhadas e avançar para outras áreas.

Além disso, o telescópio evita regiões próximas ao plano do Sistema Solar, onde a presença de poeira e numerosos objetos pode prejudicar as observações de galáxias distantes.

Por isso, a possibilidade de identificar um cometa desconhecido é relativamente pequena.

O objeto apareceu em 16 exposições distribuídas por cinco conjuntos de observações, permitindo que os pesquisadores acompanhassem seu deslocamento.

O resultado demonstra que instrumentos construídos para estudar o universo distante também podem contribuir para descobrir objetos próximos, desde que seus dados sejam analisados com ferramentas adequadas.

A descoberta foi destacada pela publicação científica EarthSky, que explicou como o telescópio identificou o cometa enquanto procurava evidências sobre a matéria escura.

Descoberta pode ajudar futuras missões espaciais

O achado também interessa aos responsáveis pela futura missão Comet Interceptor, da ESA.

O projeto pretende enviar uma espaçonave para estudar um cometa pouco alterado desde a formação do Sistema Solar.

A estratégia envolve preparar uma sonda capaz de aguardar a identificação de um alvo adequado e posteriormente interceptá-lo.

O C/2026 S1 não atende aos requisitos dessa missão, mas sua descoberta mostrou que o Euclid pode contribuir para localizar outros candidatos com antecedência.

Isso é importante porque cometas provenientes de regiões distantes podem oferecer informações sobre a composição química e as condições existentes há aproximadamente 4,6 bilhões de anos.

A missão principal do Euclid continua sendo investigar a estrutura do universo e os efeitos da matéria escura e da energia escura.

Entretanto, o encontro inesperado com um cometa demonstra que algumas das descobertas mais interessantes da astronomia acontecem quando os cientistas procuram algo completamente diferente.

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