Pular para o conteúdo
Mundo

Estudo internacional desmente Trump: não há ligação entre paracetamol e autismo

Um amplo estudo publicado na revista científica BMJ concluiu que não existe evidência de que o uso de paracetamol durante a gravidez cause autismo ou transtorno de déficit de atenção nas crianças. A pesquisa contradiz declarações recentes de Donald Trump, amplamente criticadas pela comunidade médica por falta de embasamento científico.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O paracetamol é um dos medicamentos mais utilizados durante a gravidez para tratar dores e febre, sendo considerado seguro quando usado conforme orientação médica. No entanto, declarações recentes do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que o uso do medicamento estaria ligado ao autismo infantil, reacenderam um debate público intenso. Agora, um estudo de referência publicado na revista BMJ reforça o consenso científico: não há evidências que sustentem essa associação.

O que diz o novo estudo

Paracetamol Na Gravidez
© FreePik

A pesquisa divulgada pela BMJ não apresenta novos experimentos, mas compila e analisa os resultados de diversas investigações anteriores sobre o tema. Trata-se de uma “revisão guarda-chuva”, um tipo de estudo que reúne outras revisões científicas para oferecer uma visão mais ampla e confiável do estado atual do conhecimento.

Segundo os autores, os dados disponíveis não confirmam um vínculo entre a exposição ao paracetamol no útero e o desenvolvimento de autismo ou TDAH na infância. A conclusão é clara: as evidências são insuficientes para estabelecer qualquer relação causal.

Por que algumas pesquisas anteriores sugeriram um risco?

Nos últimos anos, alguns estudos apontaram possíveis associações entre o uso do medicamento e o autismo. No entanto, o novo trabalho mostra que a qualidade dessas pesquisas é considerada baixa ou muito baixa.

Em muitos casos, os estudos:

  • Não conseguiram isolar outros fatores importantes, como histórico genético, condições de saúde materna e contexto social.

  • Não distinguiram os efeitos do remédio dos efeitos da doença que levou à sua prescrição (como febre ou infecções, que por si só podem influenciar o desenvolvimento fetal).

  • Estabeleceram correlações, mas não causalidade — ou seja, apontaram que dois eventos ocorreram juntos, mas sem demonstrar que um causa o outro.

Por essas razões, o próprio estudo frequentemente citado por membros da administração Trump — publicado em 2025 na revista Environmental Health — afirmava no texto que não era possível concluir que o paracetamol fosse a causa dos casos observados.

Comunidade científica reage às declarações

As falas de Trump, que incentivou gestantes a evitar o paracetamol, provocaram forte reação entre médicos e entidades de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reiterou recentemente que não existe vínculo comprovado entre o paracetamol e o autismo, reforçando que o medicamento segue sendo a opção mais segura para alívio de dor e febre durante a gravidez.

Especialistas alertam que disseminar informações sem base científica pode levar gestantes a submeter-se a dor desnecessariamente ou, pior, recorrer a anti-inflamatórios como ibuprofeno e aspirina, que têm riscos comprovados ao feto, incluindo má formação e complicações na gestação.

Um consenso que se reforça

O professor Dimitrios Sassiakos, da University College London, afirmou em comentário ao Science Media Center que o estudo da BMJ “confirma o que especialistas repetem no mundo inteiro”. Ele destaca que a metodologia rigorosa adotada fortalece a confiabilidade das conclusões.

Para os pesquisadores, o debate não deve se fechar, mas continuar acompanhando evidências futuras com rigor metodológico e transparência científica.

O que significa na prática para gestantes

  • O paracetamol continua sendo o analgésico de referência recomendado durante a gravidez.

  • Deve ser usado na menor dose eficaz e pelo menor tempo necessário, como qualquer medicação.

  • Gestantes nunca devem iniciar ou suspender medicamentos com base em declarações políticas ou redes sociais, mas sim sob orientação médica.

 

[ Fonte: DW ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados