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Ciência

Estudo revela que beber pouca água pode aumentar o estresse

Dormir mal e viver sob pressão não são os únicos fatores que influenciam o estresse. Um hábito simples do dia a dia pode estar deixando seu cérebro mais vulnerável do que você imagina.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quando pensamos nas causas do estresse, é comum culpar o trabalho, os problemas financeiros ou a rotina corrida. Mas pesquisadores descobriram que existe outro fator, muito mais básico, que também influencia a forma como o organismo reage às situações de pressão. E a boa notícia é que ele pode ser corrigido com uma mudança simples de hábito.

A falta de água pode fazer seu corpo reagir de forma mais intensa ao estresse

Estudo revela que beber pouca água pode aumentar o estresse
© Pexels

O estresse faz parte da vida. Uma reunião importante, uma entrevista de emprego ou uma discussão familiar são suficientes para ativar os mecanismos de defesa do organismo e preparar o corpo para enfrentar desafios.

No entanto, um estudo recente publicado no Journal of Applied Physiology indica que a intensidade dessa reação não depende apenas da situação vivida ou do perfil psicológico de cada pessoa. O estado de hidratação também desempenha um papel importante.

Segundo os pesquisadores, pessoas desidratadas apresentam uma resposta mais intensa do cortisol, conhecido como o principal hormônio do estresse, quando enfrentam situações de pressão.

Em outras palavras, a falta de água pode fazer com que o organismo interprete os problemas cotidianos como ameaças ainda maiores.

O funcionamento desse mecanismo começa em uma região do cérebro responsável por coordenar a resposta ao estresse: o chamado eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.

Sempre que o organismo percebe uma ameaça física ou emocional, esse sistema entra em ação e estimula a liberação de cortisol. Em níveis normais, esse hormônio é essencial para a sobrevivência, ajudando o corpo a reagir rapidamente diante de situações de risco.

O problema surge quando essa resposta se torna excessiva ou permanece elevada por longos períodos, condição associada ao aumento da ansiedade, dificuldades cognitivas e diversos problemas de saúde.

A desidratação também é vista pelo organismo como uma ameaça

Estudo revela que beber pouca água pode aumentar o estresse
© Pexels

Embora muitas pessoas associem a desidratação apenas à sensação de sede ou boca seca, seus efeitos vão muito além disso.

Quando o organismo recebe menos água do que precisa, o volume de sangue diminui e sua concentração aumenta. Para compensar esse desequilíbrio, o corpo libera hormônios como a vasopressina, responsável por reduzir a produção de urina e preservar o máximo possível de líquido.

Do ponto de vista biológico, esse processo representa uma situação de estresse fisiológico.

É justamente aí que ocorre a combinação apontada pelos pesquisadores.

Se uma pessoa já está lidando com o esforço interno provocado pela falta de hidratação e, ao mesmo tempo, enfrenta um desafio emocional, como um conflito no trabalho ou uma situação de forte pressão, o organismo passa a responder a duas ameaças simultaneamente.

Como consequência, a liberação de cortisol tende a ser ainda maior do que em indivíduos bem hidratados.

Esse resultado ajuda a explicar por que algumas pessoas parecem reagir de forma mais intensa aos mesmos acontecimentos do cotidiano.

O cérebro depende da água para funcionar corretamente

A relação entre hidratação e saúde mental não é uma descoberta isolada.

Diversos estudos vêm mostrando que existe uma associação entre baixa ingestão de líquidos, alterações de humor e sintomas de ansiedade.

Isso faz sentido do ponto de vista fisiológico. Aproximadamente 73% do cérebro é composto por água, o que torna esse órgão extremamente sensível até mesmo a pequenas quedas no nível de hidratação.

Mesmo uma desidratação considerada leve pode afetar concentração, memória, atenção e processamento cognitivo, além de aumentar a percepção de fadiga.

Os pesquisadores lembram, porém, que a resposta ao estresse não é igual para todas as pessoas.

Fatores como idade, sexo, consumo de cafeína, tabagismo, uso de determinados medicamentos e diferenças hormonais influenciam diretamente a quantidade de cortisol liberada em situações de pressão.

Ainda assim, a hidratação aparece como um dos fatores mais fáceis de controlar no dia a dia.

Embora ninguém possa eliminar completamente os problemas da rotina ou evitar todas as situações estressantes, manter uma ingestão adequada de líquidos pode ajudar o sistema nervoso a responder de forma mais equilibrada aos desafios cotidianos.

A ciência ainda investiga todos os mecanismos envolvidos nessa relação, mas a conclusão já parece clara: beber água regularmente não beneficia apenas o corpo. Também pode ser um aliado importante para manter o cérebro funcionando melhor e reduzir o impacto fisiológico do estresse.

[Fonte: Xataka]

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