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Ciência

Por que os mosquitos parecem escolher sempre as mesmas pessoas? A ciência descobriu pistas surpreendentes

Algumas pessoas quase nunca são picadas, enquanto outras parecem atrair mosquitos o tempo todo. A ciência descobriu que essa diferença está ligada a sinais invisíveis que nosso próprio corpo emite.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Basta chegar o calor para a cena se repetir: em um grupo de amigos, algumas pessoas passam a noite inteira sem uma única picada, enquanto outras terminam cobertas por marcas e coceira. Durante muito tempo, essa diferença foi atribuída ao acaso ou a crenças populares, mas pesquisas recentes mostram que os mosquitos seguem critérios muito mais sofisticados do que imaginávamos. Entender esses mecanismos ajuda não apenas a explicar esse comportamento, mas também a reduzir as chances de ser escolhido por esses insetos.

Os mosquitos usam um sistema altamente preciso para encontrar suas vítimas

Ao contrário do que muita gente imagina, os mosquitos não escolhem suas vítimas aleatoriamente. Antes mesmo de enxergar uma pessoa, eles conseguem detectar sinais químicos e físicos que funcionam como um verdadeiro mapa para localizar possíveis alvos.

O primeiro deles é o dióxido de carbono liberado durante a respiração. Esse gás pode ser percebido pelos insetos a vários metros de distância e serve como uma espécie de guia inicial, indicando que existe um hospedeiro por perto.

Depois que se aproximam, outros fatores passam a influenciar a decisão. A temperatura corporal, a umidade da pele e, principalmente, o cheiro característico de cada indivíduo ajudam os mosquitos a escolher quem será picado.

Esse odor é muito mais complexo do que parece. Ele não depende apenas da transpiração, mas também das milhões de bactérias que vivem naturalmente sobre a pele. Esses microrganismos transformam substâncias produzidas pelo corpo em compostos químicos que os mosquitos conseguem identificar com enorme facilidade.

Por isso, duas pessoas lado a lado podem receber quantidades muito diferentes de picadas. Especialistas em entomologia médica afirmam que, em alguns grupos, uma única pessoa pode concentrar até 90% dos ataques, enquanto as demais quase não são incomodadas.

Pesquisas científicas identificaram mais de 500 compostos químicos voláteis relacionados ao odor corporal humano. Entre eles, destacam-se os chamados ácidos carboxílicos, encontrados em maior concentração em algumas pessoas e considerados extremamente atrativos para determinadas espécies de mosquitos.

Além da composição química da pele, a genética também exerce influência importante. Estudos realizados por pesquisadores da Universidade Rockefeller compararam o odor corporal de dezenas de participantes e encontraram diferenças que chegaram a cem vezes na capacidade de atrair mosquitos.

Outro detalhe chamou atenção dos cientistas: essas diferenças permaneceram praticamente inalteradas ao longo dos anos, indicando que essa característica está fortemente ligada ao DNA e não apenas aos hábitos ou ao ambiente.

A ciência também descobriu o que realmente ajuda a evitar as picadas

Embora a genética tenha um papel importante, existem situações temporárias que tornam algumas pessoas ainda mais atraentes para os mosquitos.

Durante a gravidez, por exemplo, o organismo produz mais calor corporal e elimina maiores quantidades de dióxido de carbono na respiração. Essa combinação pode aumentar significativamente o número de picadas.

O mesmo acontece após atividades físicas intensas. Exercícios elevam a temperatura do corpo, estimulam a transpiração e aumentam a frequência respiratória, facilitando o trabalho dos insetos na hora de localizar suas vítimas.

Pessoas com maior porte físico também costumam emitir mais calor e dióxido de carbono, fatores que ampliam sua visibilidade para os mosquitos.

Apesar da enorme quantidade de receitas caseiras divulgadas todos os anos, muitas delas não possuem comprovação científica. Entre os exemplos mais conhecidos está a ideia de que consumir alho ou tomar suplementos de vitamina B afastaria os insetos. Até o momento, os estudos disponíveis não demonstraram evidências consistentes de que essas estratégias realmente funcionem.

Outro mito bastante popular é o da chamada “sangue doce”. Na realidade, os mosquitos não escolhem suas vítimas pelo sabor do sangue, já que fazem essa seleção antes mesmo da picada. O que realmente determina o alvo são os sinais químicos e físicos emitidos pelo organismo.

As medidas mais eficazes continuam sendo aquelas recomendadas por especialistas. O uso de repelentes que contenham ingredientes como DEET, picaridina ou PMD apresenta forte respaldo científico. Também é importante utilizar roupas que cubram boa parte do corpo, principalmente durante o amanhecer e o entardecer, períodos em que muitas espécies apresentam maior atividade.

Outro cuidado essencial é reaplicar o repelente após suor intenso ou depois de permanecer muitas horas ao ar livre, já que sua proteção diminui com o tempo.

Por fim, os especialistas lembram que nem todas as pessoas reagem da mesma forma às picadas. Algumas desenvolvem inchaços e vermelhidão bastante evidentes, enquanto outras apresentam apenas pequenas marcas. Essa diferença na resposta do sistema imunológico pode reforçar a impressão de que certos indivíduos são atacados com maior frequência. Ainda assim, a ciência confirma que, em muitos casos, alguns corpos realmente emitem sinais que tornam seus donos muito mais atraentes para os mosquitos — exatamente a resposta sugerida pelo título deste artigo.

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