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Tecnologia

Estudo revela que jogar League of Legends pode melhorar funções do cérebro

Uma pesquisa recente aponta que um dos jogos mais populares do mundo pode estar fazendo mais do que entreter. Os efeitos observados chamaram a atenção até da comunidade científica.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante muito tempo, videogames foram vistos apenas como passatempo — ou até como distração prejudicial. Mas essa percepção vem mudando à medida que a ciência começa a investigar seus efeitos no cérebro. Em meio a esse debate, um estudo recente analisou um dos jogos mais populares do mundo e encontrou resultados que podem surpreender até os mais céticos.

O jogo que virou objeto de estudo científico

League of Legends, um dos títulos mais influentes da última década, foi analisado em uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia Eletrônica da China.

O estudo, publicado na revista Brain Sciences, acompanhou 68 estudantes ao longo de cinco meses. O objetivo era entender como diferentes tipos de jogos impactam o desempenho cognitivo.

Para isso, os pesquisadores compararam jogadores de League of Legends com participantes que jogavam Sanguosha, um popular jogo de cartas por turnos na China. A diferença nos resultados foi clara.

O que muda no cérebro de quem joga

Os participantes que jogaram League of Legends apresentaram melhor desempenho em tarefas que exigem atenção simultânea a múltiplos elementos e tomada de decisão rápida.

Esse tipo de habilidade é essencial em jogos competitivos, onde o jogador precisa monitorar vários objetivos ao mesmo tempo, reagir a mudanças inesperadas e tomar decisões em frações de segundo.

Mas o dado mais relevante veio das análises neurológicas. Exames de eletroencefalograma mostraram que os jogadores desenvolveram redes cerebrais mais eficientes, sugerindo uma adaptação do cérebro a esse tipo de estímulo complexo.

Um efeito que vai além do tempo de jogo

Outro ponto que chamou atenção foi a duração dos efeitos. Mesmo após o fim das sessões de jogo, os benefícios cognitivos continuaram sendo observados por semanas.

Cerca de dez semanas depois, os participantes ainda apresentavam melhorias em relação ao grupo de comparação. Isso indica que o impacto não é apenas momentâneo, mas pode gerar mudanças mais duradouras.

Esse resultado reforça a ideia de que certos tipos de jogos não apenas estimulam o cérebro no curto prazo, mas também contribuem para o desenvolvimento de habilidades cognitivas ao longo do tempo.

Por que esse tipo de jogo faz diferença

Estudo revela que jogar League of Legends pode melhorar funções do cérebro
© https://x.com/MovistareSports

League of Legends pertence ao gênero MOBA (Multiplayer Online Battle Arena), conhecido por exigir alto nível de estratégia, coordenação e adaptação constante.

Diferente de jogos mais previsíveis, ele coloca o jogador em cenários dinâmicos, onde cada partida é diferente da anterior. Isso força o cérebro a processar informações rapidamente, ajustar estratégias e lidar com múltiplas variáveis ao mesmo tempo.

Esse ambiente de alta complexidade parece ser um dos fatores que explicam os ganhos observados na pesquisa.

Muito além do entretenimento

Desde seu lançamento em 2009, League of Legends não apenas se consolidou como um dos jogos mais populares do mundo, mas também ajudou a moldar o cenário dos esportes eletrônicos.

Com uma comunidade global massiva, competições de alto nível e impacto cultural que ultrapassa os videogames — incluindo produções como Arcane —, o jogo se tornou um fenômeno do entretenimento moderno.

Agora, com evidências científicas apontando benefícios cognitivos, ele também passa a ocupar um espaço diferente: o de ferramenta potencial para desenvolvimento mental.

Isso não significa que todo videogame traga os mesmos efeitos, nem que o tempo de tela deva ser ignorado. Mas indica que, em determinados contextos, jogar pode ser mais do que diversão — pode ser treino para o cérebro.

[Fonte: Meristation]

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