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Ciência

Uma supernova apareceu cinco vezes no céu — e pode revelar a velocidade do universo

Um fenômeno raríssimo observado a bilhões de anos-luz pode ajudar cientistas a responder uma pergunta que intriga a ciência há décadas — e mudar o que sabemos sobre o cosmos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O universo está em expansão — isso já sabemos há quase um século. Mas há um detalhe que continua em aberto: qual é exatamente a velocidade dessa expansão? A resposta pode parecer simples, mas envolve uma das maiores controvérsias da cosmologia moderna. Agora, um evento extremamente raro observado no espaço profundo surge como uma possível peça-chave para resolver esse enigma.

Um fenômeno raro que desafia o que vemos no céu

Uma supernova apareceu cinco vezes no céu — e pode revelar a velocidade do universo
© https://x.com/dark_matter_adm

Cientistas identificaram uma supernova incomum, apelidada de SN Winny, localizada a cerca de 10 bilhões de anos-luz da Terra. O que torna esse objeto especial não é apenas seu brilho — muito mais intenso do que o de explosões estelares comuns —, mas a forma como aparece no céu: cinco vezes ao mesmo tempo.

Esse efeito impressionante acontece por causa de um fenômeno conhecido como lente gravitacional. À medida que a luz da supernova viaja pelo espaço, ela passa por duas galáxias no caminho. A gravidade dessas estruturas distorce a trajetória da luz, criando múltiplas imagens do mesmo evento.

Cada uma dessas imagens chega à Terra em momentos ligeiramente diferentes, pois percorre caminhos distintos. É justamente essa diferença de tempo que pode revelar algo muito maior do que o próprio evento.

Como medir a expansão do universo com luz atrasada

A chave do avanço está na medição desses atrasos. Ao calcular com precisão quanto tempo cada imagem leva para chegar até nós, os cientistas conseguem estimar a chamada constante de Hubble — o valor que define a velocidade de expansão do universo.

Esse método oferece uma abordagem direta, baseada em observações reais, sem depender de tantas etapas intermediárias ou suposições teóricas. É por isso que eventos como esse são tão valiosos — e tão raros.

Segundo os pesquisadores, encontrar uma supernova desse tipo, perfeitamente alinhada com um sistema de lente gravitacional adequado, é algo extremamente improvável. Estima-se que a chance seja inferior a uma em um milhão.

Um sistema único capturado com precisão inédita

Para estudar o fenômeno em detalhes, cientistas utilizaram telescópios de alta resolução capazes de capturar imagens extremamente nítidas do sistema.

As observações revelaram duas galáxias centrais cercadas por cinco pontos azulados — cada um representando uma imagem da supernova. Essa configuração é particularmente incomum, já que a maioria dos sistemas semelhantes gera apenas duas ou quatro imagens.

A simplicidade relativa das galáxias envolvidas também facilita o trabalho dos pesquisadores. Diferente de sistemas mais complexos, onde a distribuição de massa é difícil de modelar, esse caso permite cálculos mais precisos sobre como a luz foi desviada.

Isso aumenta significativamente a confiabilidade das medições — um fator crucial quando o objetivo é resolver um problema que desafia a ciência há décadas.

O problema que divide os cientistas

Atualmente, existem dois métodos principais para calcular a expansão do universo — e eles não concordam entre si.

O primeiro observa galáxias próximas e mede distâncias em etapas, como uma escada. Já o segundo analisa o universo primitivo por meio da radiação remanescente do Big Bang. Ambos são sofisticados, mas chegam a resultados diferentes — uma divergência conhecida como “tensão de Hubble”.

Essa inconsistência levanta dúvidas profundas sobre nosso entendimento do cosmos. Pode ser que algum detalhe esteja sendo interpretado de forma incorreta — ou que exista algo ainda desconhecido influenciando a expansão do universo.

Um novo caminho que pode mudar tudo

É nesse contexto que entra a importância de eventos como SN Winny. Ao combinar medições de tempo entre as imagens com dados sobre a massa das galáxias que atuam como lente, os cientistas conseguem calcular a constante de Hubble em um único passo.

Isso reduz as incertezas e oferece uma alternativa independente aos métodos tradicionais.

Pesquisadores ao redor do mundo continuam observando essa supernova com telescópios terrestres e espaciais, buscando refinar ainda mais os dados. A expectativa é que, com mais informações, seja possível finalmente esclarecer a verdadeira velocidade de expansão do universo.

Se isso acontecer, não será apenas mais uma descoberta astronômica. Será um ajuste fundamental na forma como entendemos a história e o futuro do cosmos.

[Fonte: Cadena 3]

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