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Ciência

EUA, China e Rússia entraram em uma corrida para instalar reatores nucleares na Lua

A energia nuclear pode se tornar uma das peças centrais da próxima fase da exploração lunar. Os Estados Unidos querem colocar um reator na Lua até 2030, enquanto China e Rússia trabalham em uma infraestrutura semelhante para a próxima década.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A nova corrida espacial não envolve apenas quem conseguirá levar astronautas novamente à Lua. As grandes potências já pensam no passo seguinte: permanecer no satélite por longos períodos, explorar seus recursos e construir uma infraestrutura capaz de sustentar futuras missões.

Nesse cenário, a energia se tornou um problema estratégico. A noite lunar pode durar aproximadamente duas semanas terrestres, tornando uma base dependente exclusivamente de painéis solares muito mais difícil de manter.

É por isso que pequenos reatores nucleares estão ganhando protagonismo. A NASA e o Departamento de Energia dos Estados Unidos estabeleceram oficialmente o objetivo de desenvolver um sistema de fissão para a superfície lunar até 2030. 

Por que colocar um reator nuclear na Lua?

Lunar
© ESA / P. Carril

Uma futura base lunar precisará alimentar sistemas de comunicação, equipamentos científicos, veículos, habitats, sistemas de suporte à vida e, potencialmente, instalações destinadas à extração de recursos.

A energia solar pode cumprir parte dessa função, mas apresenta uma limitação evidente: não funciona continuamente.

Um pequeno reator de fissão poderia produzir eletricidade independentemente da disponibilidade de luz solar ou das enormes variações de temperatura da superfície lunar. A NASA considera essa tecnologia fundamental para estabelecer uma presença humana sustentável primeiro na Lua e, posteriormente, em Marte.

Um estudo publicado recentemente na revista científica npj Space Exploration, da Nature, reforça esse potencial. Os pesquisadores apontam a fissão nuclear como uma alternativa de alta densidade energética para atividades lunares de longa duração, embora ainda existam desafios importantes relacionados à blindagem contra radiação e à dissipação do calor. 

Os Estados Unidos querem chegar primeiro

A urgência americana não é apenas tecnológica.

A NASA determinou que o desenvolvimento avance rapidamente, e documentos da própria agência mencionam explicitamente os planos anunciados por China e Rússia para instalar um reator na Lua em meados da década de 2030.

Em janeiro de 2026, NASA e Departamento de Energia reforçaram oficialmente sua parceria. O objetivo é desenvolver, abastecer, autorizar e preparar um reator lunar capaz de funcionar durante anos sem necessidade de reabastecimento.

A infraestrutura faria parte do projeto americano de estabelecer uma presença permanente na Lua e criar as condições necessárias para missões posteriores a Marte.

Mas os Estados Unidos não estão sozinhos.

China e Rússia também querem energia nuclear no polo sul

A China descobriu que o verdadeiro ouro da corrida espacial não está nos foguetes, mas em quem paga quando eles explodem
© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

China e Rússia trabalham juntas na futura Estação Internacional de Pesquisa Lunar, conhecida pela sigla ILRS.

O projeto prevê uma instalação científica na região do polo sul da Lua. Segundo os planos apresentados pela China, uma primeira versão da estação deverá estar construída até aproximadamente 2035, permitindo experimentos científicos e exploração limitada de recursos lunares. 

A Rússia também anunciou anteriormente sua intenção de colaborar com a China no desenvolvimento de uma fonte nuclear de energia para essa infraestrutura. Informações recentes apontam para um horizonte próximo de 2035 ou 2036.

O polo sul é particularmente cobiçado porque algumas de suas crateras permanecem permanentemente na sombra e podem preservar depósitos de gelo.

Essa água poderia servir não apenas para consumo humano. Separada em hidrogênio e oxigênio, ela também poderia fornecer componentes essenciais para combustível e outras operações espaciais.

Um acidente nuclear na Lua seria um problema completamente diferente

A corrida, entretanto, preocupa alguns cientistas.

O principal risco começa antes mesmo de o reator entrar em funcionamento. Transportar material nuclear exige lançar o equipamento da Terra em um foguete — e lançamentos espaciais ainda podem falhar.

Há também questões sobre possíveis acidentes depois da instalação. Uma falha grave poderia contaminar uma região lunar e tornar determinadas áreas problemáticas para futuras missões. Especialistas ouvidos na reportagem original também alertam para as consequências políticas e ambientais de uma corrida acelerada.

Os desafios técnicos são igualmente consideráveis. Um reator lunar precisa ser compacto, extremamente resistente, operar de maneira praticamente autônoma e controlar sua temperatura em um ambiente sem atmosfera.

A disputa pode definir quem controla a próxima era da exploração lunar

A questão vai muito além de produzir eletricidade.

Uma fonte contínua de energia permitiria manter equipamentos funcionando durante longos períodos, extrair recursos, realizar pesquisas e sustentar uma presença humana permanente.

Quem conseguir construir primeiro essa infraestrutura pode conquistar uma vantagem importante na exploração do polo sul lunar.

Oficialmente, nenhum país pode simplesmente declarar uma região da Lua como seu território. Na prática, porém, instalações sensíveis — especialmente um reator nuclear — exigiriam áreas de segurança ao redor delas, criando novas discussões sobre acesso e utilização da superfície lunar.

A Lua, portanto, pode estar prestes a ganhar algo que até recentemente parecia restrito à ficção científica: sua própria infraestrutura energética.

E a disputa para decidir quem vai ligá-la primeiro já começou.

 

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