A NASA está dando novos passos para transformar a ideia de uma base permanente na Lua em um projeto concreto. A agência selecionou três conjuntos de instrumentos científicos que serão enviados à superfície lunar para procurar recursos, identificar riscos e descobrir possíveis abrigos naturais para astronautas. Entre os alvos estão tubos de lava subterrâneos que poderiam oferecer proteção contra radiação e micrometeoritos — dois dos grandes perigos de viver fora da Terra.
NASA quer construir uma base perto do polo sul da Lua

A iniciativa faz parte dos programas Artemis e Moon Base, que pretendem estabelecer uma presença humana de longa duração no satélite.
Segundo o plano oficial da NASA para a Moon Base, a instalação será construída gradualmente nas proximidades do polo sul lunar.
A primeira fase, que vai até 2029, está concentrada justamente em missões robóticas, reconhecimento do ambiente e testes de tecnologias. Entre 2029 e 2032, a agência pretende começar a instalar infraestrutura, como sistemas de energia, logística, transporte e comunicações.
A partir de 2032, o objetivo é avançar para uma etapa muito mais ambiciosa: montar um posto lunar permanente no qual astronautas possam viver e trabalhar por períodos prolongados.
Antes disso, porém, será necessário descobrir exatamente onde é seguro construir.
E é aí que entram os novos instrumentos.
Um buraco na Lua pode esconder um abrigo natural
No anúncio original feito pela NASA, a agência apresentou três novas investigações selecionadas pelo programa PRISM, que serão transportadas até a Lua por meio da iniciativa Commercial Lunar Payload Services (CLPS).
Uma das mais interessantes é chamada GIMLI.
O conjunto de instrumentos será levado até Marius Hills, região vulcânica onde existe uma abertura conhecida na superfície lunar. Os cientistas querem descobrir se ela realmente dá acesso a um grande tubo de lava subterrâneo.
Essas estruturas se formaram bilhões de anos atrás, quando fluxos de lava criaram canais que posteriormente ficaram vazios.
Para futuros astronautas, entrar em um deles poderia ter enormes vantagens.
A Lua praticamente não possui atmosfera nem campo magnético global capaz de proteger seres humanos da radiação espacial. Sua superfície também é constantemente atingida por pequenos meteoritos.
Um tubo de lava poderia funcionar como uma barreira natural contra ambos.
Além disso, o ambiente subterrâneo tende a apresentar temperaturas mais estáveis do que a superfície lunar, onde as condições térmicas podem variar drasticamente.
Outro instrumento vai medir terremotos e micrometeoritos
A segunda missão é a Lunar Environment Monitoring Station – South Pole, ou LEMS-SP.
Ela funcionará como uma estação autônoma de monitoramento ambiental nas proximidades do polo sul.
Entre suas tarefas estará registrar impactos de micrometeoritos, medir materiais voláteis e detectar atividade sísmica.
Embora pareça um mundo geologicamente morto, a Lua registra os chamados “moonquakes”, tremores que podem ser provocados por diferentes processos, incluindo forças gravitacionais, impactos e mudanças extremas de temperatura.
Conhecer a intensidade desses eventos será fundamental antes de instalar equipamentos e habitats projetados para funcionar durante anos.
A estação também ajudará a NASA a determinar quais tipos de proteção serão necessários para a infraestrutura da futura base.
NASA também quer descobrir exatamente onde está o gelo lunar

O terceiro conjunto de instrumentos, chamado DISCO, terá outra missão essencial: procurar gelo.
A existência de água congelada nas regiões permanentemente sombreadas próximas aos polos lunares é um dos principais motivos pelos quais essa parte da Lua se tornou tão importante para os planos de exploração.
O DISCO deverá realizar medições diretas do gelo escondido em pequenas regiões extremamente frias e analisar a quantidade e distribuição desse recurso.
Água lunar não serviria apenas para beber.
Em princípio, ela poderia ser separada em hidrogênio e oxigênio, elementos que podem ser utilizados para produzir combustível e fornecer oxigênio para futuras tripulações.
O instrumento também estudará como os gases liberados pelos motores de espaçonaves alteram o solo lunar e avaliará sua estabilidade para operações e deslocamentos.
A Lua será um laboratório antes de Marte
A estratégia mostra como os planos da NASA mudaram desde as missões Apollo.
O objetivo agora não é simplesmente pousar, realizar experimentos e voltar para casa.
A arquitetura oficial da Moon Base prevê uma infraestrutura que cresça progressivamente, incorporando veículos, sistemas de energia, comunicações e, finalmente, habitats capazes de sustentar astronautas por períodos cada vez maiores.
A Lua também funcionará como campo de testes para tecnologias que poderão ser usadas em missões humanas a Marte.
Mas construir uma base em outro mundo começa com algo muito menos espetacular: descobrir onde é possível sobreviver.
Por isso, antes de erguer habitats, a NASA está tentando mapear os perigos, localizar água e descobrir se a própria geologia lunar já construiu alguns dos melhores abrigos disponíveis.
Se os tubos de lava realmente oferecerem as condições esperadas, parte da primeira infraestrutura de proteção humana na Lua pode já estar esperando por nós há bilhões de anos.