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EUA e China disputam a nova corrida espacial rumo à Lua — e o resultado pode redefinir o equilíbrio de poder global

Mais de meio século após o último passo humano na Lua, Estados Unidos e China travam uma disputa tecnológica, militar e econômica pelo protagonismo no espaço. A corrida envolve foguetes gigantes, armas antissatélite e bilhões em investimentos — enquanto o Brasil tenta garantir seu lugar nesse tabuleiro estratégico.

 A corrida espacial nunca foi apenas sobre ciência. Desde a Guerra Fria, o espaço representa prestígio, poder e vantagem estratégica. Se antes o embate era entre Estados Unidos e União Soviética, agora o protagonismo divide-se entre Washington e Pequim. A Lua voltou ao centro da disputa — e o país que chegar primeiro poderá consolidar liderança tecnológica e influência geopolítica nas próximas décadas.

A nova disputa lunar

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© https://x.com/moonloverxjpg

A última missão tripulada à Lua ocorreu em 1972, com a Apollo 17. Desde então, nenhum astronauta voltou à superfície lunar. Isso deve mudar até o fim desta década.

A China, por meio da Administração Espacial Nacional da China (CNSA), planeja enviar taikonautas à Lua até 2030. O cronograma é semelhante ao do programa Artemis, liderado pela Nasa, que pretende estabelecer presença sustentável no entorno lunar.

Os Estados Unidos apostam no foguete Starship, da SpaceX, o maior sistema de lançamento já projetado. A reutilização de foguetes — inovação consolidada pela empresa de Elon Musk — reduziu custos e acelerou o ritmo das missões.

A China, por sua vez, já conquistou feitos relevantes, como o primeiro pouso controlado no lado oculto da Lua, demonstrando capacidade técnica crescente e planejamento estatal centralizado.

Espaço também é território militar

A exploração espacial mantém caráter científico, mas o componente estratégico é inegável. Segundo o professor de geopolítica Ronaldo Carmona, o desenvolvimento de armas antissatélite é um dos pilares do poder espacial contemporâneo.

Esses sistemas permitem destruir satélites adversários, comprometendo comunicações, navegação e monitoramento militar. Estados Unidos, China, Rússia e Índia já realizaram testes desse tipo.

A disputa atual não se limita a plantar bandeiras. Envolve controle de infraestrutura orbital que sustenta atividades cotidianas, como internet, GPS e sistemas bancários.

O papel decisivo da iniciativa privada

Diferentemente da Guerra Fria, quando os programas eram exclusivamente governamentais, a corrida atual conta com forte participação privada.

A SpaceX tornou-se peça central da estratégia americana. Para o professor Gunther Rudzit, o apoio da indústria é essencial para que os EUA mantenham liderança.

O próprio Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua, expressou reservas quanto à expansão privada no setor nos anos 2010. Hoje, no entanto, o modelo público-privado domina a exploração espacial.

Segundo o coronel Carlos Moura, ex-presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), o espaço deixou de ser visto apenas como bem comum da humanidade. Tornou-se também mercado bilionário e instrumento de poder.

Onde o Brasil se encaixa

Lula E Xi Jinping
© https://www.gov.br/planalto

O Brasil teve papel relevante na cooperação com a China nos anos 1980, quando Pequim buscava parceiros diante de sanções ocidentais. Dessa parceria nasceu o programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), responsável por satélites que auxiliam no monitoramento da Amazônia.

Segundo o professor Maurício Santoro, da UERJ, o Brasil contribuiu para a formação inicial da base tecnológica chinesa no setor espacial.

Nos últimos anos, cortes orçamentários e instabilidade política limitaram a autonomia brasileira. Ainda assim, em 2025, Brasil e China anunciaram a construção de um laboratório conjunto para tecnologias espaciais, reforçando laços científicos.

Para Carlos Moura, investir no setor é estratégico não apenas para defesa, mas para áreas como agricultura, meio ambiente e logística.

Como começou a primeira corrida espacial

A rivalidade espacial teve início formal em 1957, quando a União Soviética lançou o Sputnik 1, primeiro satélite artificial da história. No mesmo ano, o Sputnik 2 levou a cadela Laika ao espaço.

Em resposta, os Estados Unidos criaram a Nasa em 1958.

Em 1961, Yuri Gagarin tornou-se o primeiro humano a orbitar a Terra, a bordo da Vostok 1. Pouco depois, Alan Shepard realizou o primeiro voo suborbital americano.

O ponto de virada veio em 1969, com a Apollo 11. Neil Armstrong e Buzz Aldrin caminharam na Lua, enquanto Michael Collins permaneceu em órbita. A frase “um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade” marcou simbolicamente a vitória americana.

Mesmo após o triunfo lunar, os soviéticos continuaram inovando. Em 1975, a sonda Venera 9 enviou as primeiras imagens da superfície de Vênus — registros únicos até hoje.

Quem está ganhando?

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© NASA

A resposta ainda não é definitiva. Os Estados Unidos mantêm vantagem histórica, experiência em missões tripuladas e forte presença privada. A China avança com rapidez, planejamento estratégico e metas claras.

Se na primeira corrida espacial o vencedor foi evidente, a disputa atual permanece aberta. O próximo passo na Lua poderá não apenas marcar um feito científico — mas redefinir o equilíbrio de poder no século XXI.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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