A meta ousada da União Europeia
O plano europeu tem três marcos principais:
- 2027: a média de emissões das frotas deve ficar abaixo de 93,6 g/km de CO₂. Quem ultrapassar pagará 95 euros por grama excedido por carro.
- 2030: o limite máximo cai para 49,5 g/km, exigindo consumo médio de 2,1 L/100 km para carros a gasolina e 1,8 L/100 km para modelos a diesel.
- 2035: fim da venda de veículos com motores a combustão que não sejam neutros em carbono.
Essa estratégia busca acelerar a transição para veículos elétricos e reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mas enfrenta forte resistência da indústria automotiva.
Montadoras dizem que prazo é “inviável”

A ACEA (Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis), liderada por Ola Källenius (CEO da Mercedes), e a CLEPA (Associação Europeia de Fornecedores de Automóveis), enviaram uma carta formal à Comissão Europeia. No documento, as entidades afirmam que:
- Os objetivos são irreais diante das condições atuais;
- Falta um plano integrado de políticas públicas para apoiar a transição;
- As investigações em tecnologias limpas já ultrapassaram 250 bilhões de euros até 2030;
- Barreiras comerciais, como o imposto de 15% sobre carros europeus nos EUA, aumentam a pressão sobre o setor.
Para as montadoras, o avanço dos elétricos está mais lento do que o previsto e exige mais incentivos para reduzir custos e acelerar a adoção.
Combustíveis sintéticos e hidrogênio entram no jogo

Após pressão liderada por Alemanha e Itália, a redação final da meta de 2035 incluiu um detalhe crucial: a proibição vale apenas para veículos não neutros em carbono. Isso abriu espaço para o desenvolvimento de motores a combustão movidos a combustíveis sintéticos ou hidrogênio, desde que considerados neutros na emissão de CO₂.
No entanto, especialistas alertam que esses combustíveis ainda liberam partículas nocivas à saúde durante a queima e que sua produção em escala enfrenta desafios técnicos e altos custos. Por isso, a UE vê essas soluções como exceções e aposta no carro elétrico como principal caminho para descarbonizar o transporte.
Pressão por subsídios e normas mais flexíveis
As montadoras europeias pedem que a UE reduza impostos, aumente subsídios e flexibilize metas para incluir híbridos e outras tecnologias de transição. O setor alega que o ritmo atual ameaça:
- A competitividade global frente a China e EUA;
- O emprego na indústria automotiva, que gera milhões de postos na Europa;
- A capacidade de manter preços acessíveis para os consumidores.
A proposta é criar um modelo que permita coexistência entre elétricos, híbridos, combustão sintética e hidrogênio por mais tempo.
O futuro da mobilidade na Europa
Mesmo com as críticas, os planos europeus já aceleraram investimentos históricos:
- Fábricas de baterias em larga escala;
- Renovação de linhas de produção para carros elétricos;
- Lançamento de modelos híbridos e plug-in com autonomia elétrica acima de 100 km.
A expectativa da Comissão Europeia é que, até 2030, a venda de elétricos cresça exponencialmente e represente a maior parte do mercado. No entanto, especialistas acreditam que o peso político de países como Alemanha, França, Itália e Espanha pode alterar prazos e regras.
Se a pressão das montadoras funcionar, a Europa pode adotar uma transição mais gradual, equilibrando metas ambientais e interesses econômicos.
A União Europeia quer banir carros a combustão em 2035, mas montadoras pressionam por prazos mais flexíveis, mais subsídios e inclusão de combustíveis sintéticos e hidrogênio. Enquanto a UE aposta nos veículos elétricos como solução principal, o futuro da mobilidade europeia ainda está em disputa — e longe de consenso.
[ Fonte: Xataka ]