Pular para o conteúdo
Ciência

Cor dos carros pode intensificar o calor nas cidades, aponta estudo

Pesquisa revela que veículos estacionados alteram o microclima urbano e contribuem para o efeito de ilha de calor; carros claros ajudam a reduzir o problema.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

Como os carros estacionados afetam a temperatura urbana

Carros Escuros
© Vinh Dao

O efeito de ilha de calor urbana — quando áreas densamente povoadas ficam mais quentes do que as regiões vizinhas — é um dos maiores desafios ambientais das cidades modernas. Agora, um estudo publicado na revista City and Environment Interactions aponta um novo fator que contribui para o problema: os carros estacionados.

Pesquisadores analisaram a cidade de Lisboa e descobriram que veículos parados absorvem e retêm calor, modificando o balanço térmico das ruas. Isso acontece porque os carros são compostos por materiais como aço e alumínio, que têm alta condutividade térmica e baixa inércia térmica. Em outras palavras, esquentam e esfriam rapidamente, criando pontos de calor temporários que elevam a temperatura do ambiente.

O papel da cor dos veículos

No experimento, os cientistas estacionaram dois carros, um branco e outro preto, sobre o asfalto em um dia de 36 °C. Após cinco horas de exposição ao sol, mediram a temperatura ao redor:

  • Sobre o teto do carro preto, a temperatura do ar chegou a ser 3,8 °C maior do que no asfalto próximo;

  • No carro branco, a diferença foi cerca de 1 °C menor;

  • Em alguns pontos ao redor do carro branco, a temperatura chegou a ser inferior à do ambiente.

O fenômeno está relacionado ao albedo — a capacidade de uma superfície refletir a radiação solar.

  • Carros brancos têm albedo alto (0,75 a 0,85), ou seja, refletem mais calor.

  • Carros pretos apresentam albedo baixo (0,05 a 0,10) e absorvem quase toda a energia solar, aquecendo-se mais rapidamente.

Impacto em grande escala

Em Lisboa, circulam mais de 700 mil veículos por dia. Só os moradores possuem cerca de 342,5 mil carros e há 91 mil vagas de estacionamento. Nas áreas mais densamente povoadas, carros estacionados ocupam até 10% da superfície das ruas, influenciando diretamente a quantidade de calor absorvido e potencializando o efeito de ilha de calor urbana.

Segundo os pesquisadores, considerar o impacto térmico dos veículos deve ser uma prioridade para planejadores urbanos e gestores ambientais.

Estratégias para reduzir o aquecimento urbano

O “Cavalo de Troia” da modernidade: Será que carros elétricos fabricados fora podem ser um perigo para uma nação?
© Pexels

Com base nos resultados, o estudo propõe uma série de medidas para mitigar os efeitos dos carros estacionados sobre o microclima das cidades:

  • Incentivar veículos de cores claras e com revestimentos refletivos;

  • Construir estruturas de sombreamento em estacionamentos abertos;

  • Utilizar pavimentos de alta refletância para reduzir a absorção de calor;

  • Plantar árvores em áreas urbanas para criar sombra e aumentar a ventilação;

  • Implementar corredores verdes e telhados vegetados, reduzindo o acúmulo de calor nas superfícies urbanas.

Os pesquisadores destacam ainda que, embora os carros elétricos emitam menos calor residual do que os veículos a combustão, os materiais de sua carroceria continuam contribuindo para o aquecimento. A transição para frotas elétricas representa, portanto, uma oportunidade para padronizar veículos com maior refletividade térmica.

Planejamento urbano e sustentabilidade

O estudo reforça que o planejamento urbano precisa levar em conta o papel dos carros estacionados no aquecimento das cidades. Integrar regulações ambientais, soluções tecnológicas e participação comunitária será fundamental para criar cidades mais sustentáveis, frescas e resilientes diante das mudanças climáticas.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados